
A medicina regenerativa registrou um avanço importante em Santa Catarina. O jovem Cauan de Lima, de 20 anos, voltou a apresentar movimentos suaves em um dos pés apenas cinco dias após ser submetido à aplicação de polilaminina. O procedimento no catarinense ocorreu na última quinta-feira (9), no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio.
Histórico do jovem catarinense
Cauan ficou paraplégico após sofrer um acidente de motocicleta em 24 de dezembro de 2025, em Três Barras, no Planalto Norte. Na ocasião, ele perdeu o controle do veículo ao passar por uma lombada e sofreu uma lesão medular completa.
Após meses de fisioterapia e análise criteriosa de laudos médicos, o jovem recebeu a aprovação para a terapia. Além dele, um paciente de Imbituba também passou pelo mesmo procedimento, ambos seguindo agora para um plano de reabilitação intensiva.
Tecnologia e inovação
A polilaminina funciona como um polímero de uma proteína natural do corpo humano, a laminina. O objetivo central da substância é estimular a regeneração dos axônios — extensões dos neurônios que são danificadas em traumas na coluna. Ao promover essa reconstrução, o tratamento busca restabelecer a comunicação entre o cérebro e os membros, interrompida pela lesão medular.
De acordo com o protocolo, a equipe médica realizou a aplicação de forma percutânea, utilizando o auxílio de raio-x para localizar o ponto exato da lesão. Essa técnica permite que a substância chegue diretamente à medula sem a necessidade de uma cirurgia aberta invasiva, o que agiliza o início da recuperação física.
Cenário nacional
Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza ensaios clínicos para validar a segurança e a eficácia dessa tecnologia no Brasil. O sucesso de casos como o de Cauan coloca o país em uma posição estratégica na pesquisa sobre regeneração medular. Assim, oferece uma nova perspectiva terapêutica para pacientes com limitações motoras decorrentes de traumas graves.
Por fim, a equipe médica do Instituto Maria Schmitt (Imas) reforça que, embora a reação inicial de Cauan seja promissora, a continuidade do acompanhamento fisioterápico é fundamental para consolidar os ganhos motores e sensoriais a longo prazo.

