
O governo de Santa Catarina proibiu nesta sexta-feira (16) a entrada e até mesmo a passagem de aves oriundas do Rio Grande do Sul. A medida foi anunciada horas após a confirmação do primeiro caso de gripe aviária (H5N1). Foi no estado gaúcho, na cidade de Montenegro, a cerca de 60 quilômetros de Porto Alegre.
A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) vonfirmou a proibição através do seu departamento de trânsito.
A virose teve confirmação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária no começo da manhã. O caso foi registrado em uma fazenda comercial, após amostras serem coletadas na última segunda-feira (12). A confirmação de que a morte da ave ocorreu por IAAP (influenza aviária de alta patogenicidade) ocorreu nesta sexta em um laboratório de Campinas, em São Paulo.
Os órgãos de agricultura isolaram a área e eliminaram todas as aves do criadouro para evitar que a doença se propagasse. Além disso, segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, uma perícia vai ocorrer dentro de um raio de 10 km de onde se registrou o caso.
Outros casos ainda podem ter confirmação nos próximos dias. A mortalidade de aves no Zoológico de Sapucaia do Sul, que está com portões fechados para visitação, também teve atendimento e a Seapi aguarda o resultado do sequenciamento.
Risco de gripe aviária é baixo para humanos
A preocupação é mais no setor econômico. As exportações, principalmente para a China, maior consumidora da carne aviária brasileira, podem cair. Para a saúde dos humanos, o risco é baixo.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, risco de infecções em humanos pelo vírus é pequeno e, na maioria, ocorre entre tratadores ou profissionais com contato intenso com aves infectadas. Porém, a doença é altamente contagiosa entre as aves, podendo causar até a morte nos animais.
Antes desse primeiro caso dentro de uma granja, a doença só era registrada em aves silvestres. O cenário já causava preocupação entre os criadouros, por conta do alto grau de contaminação.
Ainda pela manhã a China e a União Europeia suspenderam a compra de carne de frango do Brasil por 60 dias. O contrato com os dois países, que estão entre os maiores destinos da carne de ave brasileira, prevê que em caso de confirmação da doença, automaticamente deve haver o embargo. O ministro da Agricultura e pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que outros países vão suspender apenas a compra do estado do Rio Grande do Sul temporariamente.
Mercado interno vai suprir
“Nós revisamos diversos protocolos sanitários, por exemplo, com o Reino Unido, com o Japão, com a Argentina, com o Emirado dos Árabes, com a Arábia Saudita, onde a restrição comercial se dará somente na região do foco. Já a China, a comunidade europeia, restringe todo o Brasil temporariamente”, disse ele.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal e do conselho mundial da avicultura, Ricardo Santin, avalia que o mercado interno vai suprir o impacto da suspensão temporária da compra pela China.
“Não há um efeito cascata depois da China, porque de fato a China deixa de comprar, mas é temporariamente. Esperamos que isso possa ser num curto espaço de tempo e a produção brasileira deve continuar. Lembrando que o maior cliente do Brasil, 75% do que a gente faz, está no Brasil. Por isso nós vamos manter a nossa produção para os brasileiros”, disse ele.

