
A brasileira Célia Maria Cassiano decidiu encerrar a própria vida por meio de suicídio assistido na Suíça após receber o diagnóstico de uma doença neurodegenerativa incurável. Na quarta-feira (15), ela entrou em um quarto, deitou-se e ingeriu, por conta própria, uma substância prescrita por um médico. Poucos minutos depois, adormeceu e morreu, sem dor.
Em seguida, as autoridades locais foram acionadas. Na Suíça, a polícia comparece ao local, analisa a documentação, confirma o consentimento do paciente e, posteriormente, encaminha o corpo para perícia e cremação.
Diagnóstico transforma rotina e leva à decisão
Antes disso, Célia construiu uma trajetória acadêmica sólida na área de comunicação e artes. No entanto, em 2025, aos 67 anos, ela recebeu o diagnóstico de uma doença que compromete progressivamente os movimentos e a fala, embora mantenha a consciência.
Com o avanço da condição, ela passou a depender de ajuda para tarefas básicas. Diante dessa realidade, afirmou que não queria permanecer acamada ou ligada a aparelhos. Assim, ao longo dos meses, decidiu buscar uma morte digna.
Proibição no Brasil impulsiona decisão de sair do país
Enquanto isso, o Brasil proíbe qualquer forma de morte assistida, incluindo o suicídio assistido e a eutanásia. Por esse motivo, Célia precisou recorrer ao exterior.
Nesse cenário, a Suíça se tornou o único destino possível, já que permite o procedimento para estrangeiros. Ainda assim, o processo exige planejamento, laudos médicos e um custo elevado, que gira em torno de R$ 65 mil, além de despesas com viagem e hospedagem.
Processo exige etapas rigorosas e decisão consciente
Inicialmente, Célia organizou toda a documentação no Brasil. Em seguida, já na Suíça, passou por avaliações médicas e psiquiátricas independentes.
Somente após cumprir todos os critérios, o médico prescreveu a substância. A partir disso, ela decidiu o momento final e realizou o procedimento de forma autônoma.
Debate avança em outros países
Por outro lado, enquanto o Brasil mantém a proibição, outros países começam a avançar no tema. Recentemente, o Uruguai regulamentou a eutanásia para pacientes com doenças graves e irreversíveis.
Além disso, Colômbia, Equador e Peru também ampliam discussões e decisões judiciais sobre o direito à morte assistida.
Decisão reforça debate sobre dignidade
Por fim, nos dias que antecederam o procedimento, Célia visitou museus, caminhou pela cidade e se despediu da rotina. Segundo ela, a decisão foi tomada com base na dignidade e na autonomia.
Antes de morrer, deixou um recado: é preciso discutir o direito à escolha no Brasil. “Não é uma obrigação. É uma escolha”, afirmou.

