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Prefeito de SC preso em janeiro vira réu junto com os filhos

Justiça aceitou denúncia do MP contra o 18º prefeito catarinense preso desde o ano passado

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Prefeito de SC preso em janeiro vira réu junto com os filhos
Ari Bagúio, no detalhe, está preso desde janeiro. Fotos: divulgação

Em Ponte Alta do Norte, cidade de 3,2 mil habitantes que fica a cerca de 200 quilômetros de Blumenau, o prefeito Ari Alves Wolinger (PL), conhecido como Ari Bagúio, junto com seus dois filhos Brayan Jackson Wolinger e Hyago Heron Wolinger, junto com o Secretário Municipal de Administração, Planejamento e Finanças Antonio Carlos Brocardo viraram réus na Operação Limpeza Urbana, deflagrada pelo Ministério Público de Santa Catarina.

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As investigações buscam desarticular um suposto esquema que atrelava empresas de limpeza urbana a um escritório de contabilidade. isso resultou em em enriquecimento ilícito, segundo o MP.

A 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina aceitou por unanimidade a denúncia da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos. Ele atua por delegação do Procurador-Geral do MP. Os quatro suspeitos agora respondem a uma ação penal por crimes de associação criminosa e concussão. Isso significa usar um cargo público para exigir vantagens indevidas.

Ari Bagúio e o Secretário Municipal estão na prisão desde janeiro. Eles tiveram agora as prisões preventivas mantidas. Já os filhos do prefeito passaram a cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Prefeito de SC está preso desde janeiro

A Operação Limpeza Urbana teve deflagração em janeiro deste ano. Isso com base em investigações da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e pelo Grupo Especial Anticorrupção.

Em Ponte Alta do Norte, cidade de 3,2 mil habitantes situada a cerca de 200 quilômetros de Blumenau, o prefeito Ari Alves Wolinger (PL), conhecido como Ari Bagúio, junto com seus dois filhos Brayan Jackson Wolinger e Hyago Heron Wolinger, junto com o Secretário Municipal de Administração, Planejamento e Finanças Antonio Carlos Brocardo viraram réus na Operação Limpeza Urbana
Ari, com seus filhos e o secretário Brocardo, todos réus no processo por corrupção. Fotos: divulgação

De acordo com a denúncia, o prefeito e o secretário municipal criaram o programa Cidade Bonita para contratar os serviços de conservação e limpeza urbana. Nesse contexto, os interessados em trabalhar eram obrigados a constituir empresa, necessitando de uma assessoria contábil.

A Polícia apurou que 20 empresas foram direcionados pelos agentes públicos para o escritório de contabilidade dos filhos do prefeito. E ficavam sabendo que só poderiam prestar os serviços se devolvessem parte do dinheiro todos os meses. Segundo o MP, as atividades eram “notadamente por prestadores de serviço braçais e pessoas humildes”.

Ainda segundo as investigações, quando o programa Cidade Bonita ganhou lançamento, em maio de 2021, a cobrança mensal por empresa era de R$ 175, sempre via PIX ou transferência bancária. Quando a Operação Limpeza Urbana teve deflagração, no início de 2024, o valor passou para R$ 200. Os prestadores de serviços relatam que sofriam ameaças caso não efetuassem os pagamentos. Estima-se que o esquema movimentou cerca de R$ 100 mil, divididos entre os quatro réus.

SC tem 18 prefeitos presos

No próprio edital de credenciamento de interessados feito pela prefeitura, a investigação apontou indícios de direcionamento, já que os critérios adotados incluíam exigências como “preferencialmente empresas com sede no Município de Ponte Alta do Norte”, o que segundo a investigação ocorreria “justamente para facilitar que as contratações prossigam sendo realizadas apenas com moradores locais”.

A defesa dos quatro réus foi assumida pelo advogado Justiniano Pedroso, que nesta terça-feira (26) se manifestou informando que a inocência de seus clientes será comprovada no decorrer do processo. Ari Bagúio foi o 18º prefeito catarinense preso desde agosto do ano passado, todos acusados de corrupção envolvendo limpeza urbana ou coleta do lixo.

Além de Ari, os demais prefeitos presos foram Douglas Elias Costa (PL), de Barra Velha; Luiz Henrique Saliba (PP), de Papanduva; Antônio Rodrigues (PP), de Balneário Barra do Sul; Antônio Ceron (PSD), de Lages; Vicente Corrêa Costa (PL), de Capivari de Baixo; Marlon Neuber (PL), de Itapoá; Joares Ponticelli (PP), de Tubarão; Luiz Carlos Tamanini (MDB), de Corupá; Deyvisonn de Souza (MDB), de Pescaria Brava; Armindo Sesar Tassi (MDB), de Massaranduba; Adriano Poffo (MDB), de Ibirama; Adilson Lisczkovski (Patriota), de Major Vieira; Patrick Corrêa (Republicanos), de Imaruí; Luiz Divonsir Shimoguiri (PSD), de Três Barras; Luiz Antonio Chiodini (PP), de Guaramirim; Alfredo Cezar Dreher (Podemos), de Bela Vista do Toldo e Felipe Voigt (MDB), de Schroeder.

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