
O empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, pagou o equivalente a R$ 67,5 milhões para adquirir um projeto de energia eólica estruturado pela família do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. A negociação ocorreu em fevereiro de 2024, por meio de empresas ligadas às partes, e transferiu 90% das cotas da sociedade responsável pelo empreendimento para o grupo de Vorcaro. A família de Faria manteve 10% de participação. O acordo buscou garantir controle do projeto ao comprador e, ao mesmo tempo, preservar vínculo local com os antigos sócios.
Como foi feita a venda
A operação envolveu uma sociedade de propósito específico criada para administrar o parque eólico. Esse tipo de empresa concentra o empreendimento em um único ativo, o que facilita a negociação e reduz riscos jurídicos. Assim, Vorcaro assumiu a maior parte do controle societário e passou a deter o direito sobre as receitas futuras do projeto.
Além disso, parte do pagamento não ocorreu em dinheiro. O comprador transferiu um imóvel de alto padrão, localizado em São Paulo, avaliado em cerca de R$ 50 milhões. O restante foi quitado em valores financeiros previstos no contrato.
Onde fica o projeto
O parque eólico está localizado entre os municípios de Guamaré e Galinhos, no litoral do Rio Grande do Norte. A área tem histórico de exploração do potencial dos ventos e já recebeu estudos técnicos e licenças ambientais. O projeto prevê a instalação de dezenas de aerogeradores, com capacidade para produzir energia em escala comercial.
Antes da venda, a família de Fábio Faria arrendou o terreno para uma empresa do setor entre 2009 e 2016. Depois disso, retomou o controle do empreendimento e avançou na estruturação do projeto até concluir a negociação com o grupo de Vorcaro.
Estrutura societária e interesses
Com a compra, a empresa ligada a Vorcaro passou a comandar a SPE responsável pelo parque. Dessa forma, também assumiu a gestão do projeto e a estratégia de comercialização da energia. Já a permanência de 10% das cotas com a família de Faria garantiu participação nos resultados futuros, caso o parque entre em operação.
Segundo pessoas envolvidas na transação, essa divisão buscou manter um sócio local no negócio, o que facilitaria trâmites regionais e relações institucionais. Ao mesmo tempo, assegurou ao comprador o controle efetivo do ativo.
Repercussão e posicionamentos
Até o momento, as empresas ligadas a Daniel Vorcaro não comentaram oficialmente os detalhes da operação. Por outro lado, representantes ligados ao ex-ministro afirmam que ele não integra a sociedade compradora e que a participação da família se limita à fatia minoritária do projeto.
Ainda assim, a negociação chamou atenção por envolver um empresário do setor financeiro e um empreendimento criado por familiares de um ex-integrante do primeiro escalão do governo federal.
O que muda daqui para frente
Com o negócio concluído, Vorcaro amplia sua presença no setor de energia renovável, área considerada estratégica para o mercado nos próximos anos. Ao mesmo tempo, a família de Fábio Faria mantém uma participação residual, que pode gerar receitas futuras quando o parque começar a produzir energia.
Agora, o próximo passo depende da viabilização técnica e comercial do projeto. Caso o parque entre em operação, a expectativa é que passe a fornecer energia ao mercado regulado, conforme as regras da Agência Nacional de Energia Elétrica.

