
Um projeto apresentado pelo vereador Mateus Batista (União Brasil) em Joinville, norte catarinense, está gerando forte reação em todo o país. A proposta, considerada inconstitucional e discriminatória, sugere proibir que nordestinos morem na cidade. O parlamentar justificou a ideia afirmando que há risco de Santa Catarina “virar um grande favelão” com a chegada de migrantes do Norte e Nordeste.
O vereador também encaminhou a proposta ao deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), defendendo que prefeituras tenham autonomia para fiscalizar e impor um tipo de “controle migratório” sobre novos moradores.
Repercussão imediata
Movimentos sociais, sindicatos e outros vereadores classificaram a iniciativa como xenofóbica e racista, destacando que a comunidade nordestina é parte fundamental da construção histórica e cultural de Joinville.
O Sinsej (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville) divulgou nota de repúdio, afirmando que discursos como esse alimentam o preconceito e promovem a divisão do país.
O que disse o vereador sobre a migração
Nas redes sociais, Mateus Batista reafirmou a defesa do projeto e publicou que esteve em Brasília para protocolar a proposta ao lado do deputado Kim Kataguiri.
“Eu defendo a migração, mas de forma ordenada e com capacidade de investimento público para garantir crescimento econômico e qualidade de vida. Sem controle, corremos o risco de transformar o estado em um grande favelão — e isso não é bom para ninguém”, escreveu.
O vereador ainda argumentou que Santa Catarina estaria “pagando a conta duas vezes”. Primeiro pelo pacto federativo, que retira mais recursos do que devolve ao Estado. Depois pela suposta má gestão e corrupção em estados do Norte e Nordeste, que, segundo ele, estimulam a migração.
Para o vereador, o crescimento populacional atual pressiona os serviços públicos, gera congestionamentos, falta de escolas e aumento da população em situação de rua. Então, a solução seria adotar um controle migratório, nos moldes de países desenvolvidos, ou rever o pacto político que considera injusto.
Durante a sessão da Câmara de Vereadores desta segunda-feira, 25 de agosto, o vereador Mateus Batista voltou a falar dos nordestinos e, desta vez, citou diretamente o Pará. Em discurso no plenário, ele afirmou:
“Belém tem 57% da sua população favelizada. Estou falando da forma como o Estado é governado. Esse fluxo migratório está sendo pressionado novamente por causa de Estados mal geridos no Norte e Nordeste. O Estado do Pará é um lixo.“
A fala do vereador Mateus tem gerado bastante repercussão em todo estado de Santa Catarina, inclusive no país. Veja:
Por fim, entidades sociais de Joinville reforçam que migrantes nordestinos tiveram papel decisivo na formação da cidade. Assim como continuam contribuindo para a economia e a diversidade cultural da região.
Nota oficial
Em resposta ao Portal Guararema News, o vereador Mateus Batista se manifestou dizendo o seguinte:
“Quando digo que O Pará é um lixo, é sobre os governantes e a gestão e não sobre o povo paraense. Muitos criticaram minha fala, mas a verdade é que o estado do Pará está destruído. Em Belém, mais de 57% da população vive em favelas, submetida ao crime organizado. A COP 30 já apresenta indícios de desvios milionários, e o IDEB está em níveis baixíssimos. A população é refém de governadores que arruinaram o estado. Por isso, tantos paraenses migram. Minha luta não é contra eles, mas contra os governantes que destruíram seu estado, mesmo recebendo milhões enviados por Santa Catarina por causa do pacto federativo.”

