
A Câmara dos Deputados decidiu investir R$ 100 milhões na reforma de dois prédios residenciais em Brasília para ampliar a oferta de moradia funcional e, assim, reduzir despesas com auxílio-moradia pago a parlamentares. A Casa informou que as obras devem terminar até maio de 2027 e que a medida pode gerar economia estimada em R$ 5 milhões por ano. O projeto ocorre na Asa Norte, no Distrito Federal, e busca enfrentar o déficit histórico de imóveis disponíveis para deputados.
Reforma amplia oferta de moradias
O plano prevê a recuperação de dois edifícios localizados na quadra SQN 202, que estavam fechados há anos. Com a reforma, a Câmara vai transformar os imóveis em 96 novos apartamentos funcionais. Desse modo, mais parlamentares poderão ocupar residências oficiais, o que tende a diminuir a necessidade de pagamento do auxílio-moradia.
Além disso, a Casa afirma que a readequação dos prédios permitirá melhor aproveitamento dos espaços. Hoje, muitos apartamentos têm metragem elevada. Com a divisão em unidades menores, a Câmara amplia o número de vagas sem adquirir novos imóveis.
Economia prometida, mas retorno é lento
A expectativa oficial é economizar cerca de R$ 5 milhões por ano com a redução do auxílio-moradia. No entanto, como o investimento inicial chega a R$ 100 milhões, o retorno financeiro só deve aparecer no longo prazo. Pelas contas internas, a compensação do gasto pode levar cerca de 20 anos.
Mesmo assim, a Câmara defende a iniciativa como necessária. Segundo a administração da Casa, o valor gasto com auxílio-moradia cresce sempre que falta imóvel funcional disponível. Portanto, ampliar a oferta é visto como forma de conter despesas futuras.
Déficit histórico de imóveis
Atualmente, a Câmara administra centenas de apartamentos funcionais, mas nem todos estão em condições de uso. Por isso, parte dos deputados recebe auxílio-moradia, benefício que gira em torno de R$ 4,2 mil mensais e pode ser complementado com verba da cota parlamentar.
Em 2025, por exemplo, a Casa gastou mais de R$ 7 milhões apenas com esse tipo de auxílio. O benefício existe desde a década de 1970 e, apesar de ter sido criado como provisório, acabou se tornando permanente diante da escassez de imóveis oficiais.
Críticas e questionamentos
Embora a Câmara sustente que a reforma trará economia, o projeto levanta questionamentos. Especialistas em gestão pública apontam que o alto custo inicial reduz o impacto imediato da medida. Além disso, a criação de 96 novas unidades não resolve totalmente o déficit de moradias para os 513 deputados.
Ainda assim, a Casa afirma que pretende ampliar gradualmente a política de reformas em outros prédios residenciais. A estratégia, segundo a administração, é diminuir a dependência do auxílio-moradia e racionalizar os gastos com habitação parlamentar.
Com a reforma dos prédios da Asa Norte, a Câmara aposta em uma solução estrutural para um problema antigo, a falta de imóveis funcionais. O investimento é alto e o retorno é lento, porém a Casa sustenta que a iniciativa reduz despesas futuras e reorganiza o patrimônio público.

