Região Grande Florianópolis

Procurador que comandou cassação de vereador emprega filha no gabinete do suplente

Tribunal das urnas, em outubro, dará seu veredito sobre os envolvidos

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Procurador que comandou cassação de vereador emprega filha no gabinete do suplente
Cena de uma das audiências que culminaram na cassação de Maikon Costa. Foto: reprodução / divulgação

O Ministério Público de Santa Catarina abriu investigação contra um Procurador entre os três que atuam na Câmara Municipal de Florianópolis. De acordo com a denúncia, Antônio Chraim foi protagonista no processo que terminou na cassação do mandato do ex-vereador Maikon Costa. Ocorre que, pouco depois disso, o Procurador Chraim conseguiu um cargo para sua filha, justamente no gabinete do substituto de Maikon, Bruno Becker.

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Sabemos que a gratidão é o mais nobre dos sentimentos. No entanto, nesses casos de toma-la-dá-cá, não há nobreza que resista.

Enquanto comandava o processo que terminou com a cassação de Maikon, o Procurador Chraim chegou a impedir que a advogada de defesa se manifestasse, durante uma sessão, algo completamente sem noção. No entanto, agora, sabemos o motivo dessa sua postura no mínimo, questionável. Era na verdade uma manobra para contribuir com o fim do desemprego na própria família.

Confira um vídeo com um trecho da audiência, onde a advogada de defesa é impedida pelo Procurador de se manifestar:

Agora vêm os ritos do processo, a morosidade da Justiça, que, sabemos, tarda, mas não falha. Nada trará de volta o mandato que Maikon conquistou nas urnas, que lhe foi vilipendiado. Mas ver a polícia fazendo operação na sede da Câmara, carregando computadores e colocando gente corrupta na prisão, isso não tem preço.

Queria tudo, ficou com nada

Quanto a Erádio Gonçalves, foi olho grande. Quis receber dois salários em dois cargos diferentes, e terminou sem nenhum. Erádio, Maikon e tantos outros serão submetidos ao tribunal das urnas em outubro. Que cada um tenha o que merece, entre a glória e o ostracismo.

Flanelinhas na pequena cracolândia

Motoristas que frequentam o trecho da avenida Mauro Ramos nas proximidades da rua Menino Deus, próximo ao Hospital Baía Sul, relatam cada vez mais casos de abusos cometidos pelos chamados flanelinhas. Bem perto dali, a única quadra da rua Bulcão Vianna, onde se situam vários prédios públicos abandonados, se transformou nos últimos anos numa pequena cracolândia. Ali já houve desova de corpos em crimes nunca desvendados. Também foi ali que uma mulher em situação de rua espancou uma estudante, no começo desse ano.

Há que se saber separar a situação das pessoas em situação de rua como vítimas das circunstâncias sociais, dos criminosos que se infiltram nas calçadas urbanas à espreita de uma oportunidade para cometer seus delitos. A extorsão dos flanelinhas é um problema de segurança pública bastante antigo, mas que em Florianópolis em especial nunca foi sequer debatido. A Polícia só executa ordens e a ordem do momento é infernizar os boêmios do Centro Leste.

Lógico. Os boêmios não oferecem perigo como um flanelinha, vai que…

Um banho de corrupção e sonhos ceifados

A destruição total da Secretaria de Esporte e Cultura de Florianópolis, provocada pelo escândalo de corrupção que levou o ex-secretário Ed Pereira para a cadeia, continua causando prejuízos à cidade. Na foto acima, Ed Pereira aparece numa imagem antiga, junto com crianças do extinto projeto de natação que funcionava nas piscinas da Prefeitura no complexo da Nego Quirido.

Até o dia em que o projeto foi fechado sem nenhuma satisfação aos pais das centenas de crianças, algumas delas autistas, como o garoto Pietro, da Barra do Sambaqui. A natação vinha surtindo efeito no desenvolvimento dele e de outras muitas crianças.

Pietro vai crescer sabendo que foi vítima de uma quadrilha de corruptos que deceparam parte dos seus sonhos.

Outro prejuízo ficou com a equipe que vai representar Florianópolis nos joguinhos, no fim de julho, em Caçador, na modalidade futebol de campo. Em outros tempos, quando chovia dinheiro, a Prefeitura convidava clubes parceiros como o Independente, do Ribeirão da Ilha, ou mesmo o Colégio Catarinense. Agora, com a secretaria aos pedaços e a Polícia na porta, a fonte secou. Quem vai representar Floripa será o projeto social “Jovens no Caminho Certo”, mas, pela primeira vez, sem nenhuma ajuda de custo para a comissão técnica.

Estamos de olho, mandriões!

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