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Justiça condena primeiro dos 5 réus acusados de matar advogado em Florianópolis

Vítima era Carlos Eduardo Lima, de 35 anos, que costumava ostentar luxo e dinheiro nas redes sociais

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Justiça condena primeiro dos 5 réus acusados de matar advogado em Florianópolis
Carlos Eduardo foi morto com requintes de crueldade. Foto: divulgação

O assassinato de um advogado gaúcho de 35 anos ocorrido em Florianópolis há exatos dois anos começou a ter seu desfecho na Justiça na terça-feira (2), no Tribunal do Juri na comarca da Capital. Um dos cinco acusados do crime, Alan Voltz Machado Batista, foi condenado a 18 anos de cadeia, em regime fechado. Na época, o caso ganhou repercussão nacional e mobilizou a polícia catarinense, que conseguiu desvendar o mistério e chegar até os criminosos, e descobriu também a motivação.

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Alan confessou sua participação na morte do advogado Carlos Eduardo Martins de Lima, que ocorreu no dia 2 de março de 2022. Outros dois acusados tiveram sentença de absolvição, na mesma sessão. Um deles foi Jonathan Felizardo Cândido, hoje com 25 anos, o “Gordinho”, natural de Florianópolis. O outro foi Patrick de Lima Garcia, hoje com 39 anos, o “tatuador”. Na próxima terça-feira (9), será a vez da esposa de Carlos Eduardo, que conforme a polícia é a mandante do crime. Ela estará no banco dos réus junto com outros dois réus.

A sessão do Tribunal do Júri durou mais de 14 horas. Com a participação de familiares dos réus e da vítima, apenas uma testemunha prestou depoimento presencialmente. Os três réus também depuseram. Cada um dos acusados teve um defensor específico, além dos assessores. Por conta disso, o júri teve início às 9h e terminou às 23h30. O magistrado que presidiu a sessão na Justiça negou a Alan o direito de recorrer em liberdade. Ele já aguardava o julgamento numa unidade do sistema prisional.

O crime: Justiça condena

O advogado Carlos Eduardo Martins de Lima atuava no Rio Grande do Sul como defensor de presos membros do crime organizado. E costumava ostentar vídeos nas suas redes sociais onde se apresentava como “showman” e mostrava grandes quantidades de dinheiro em espécie. Ele também costumava frequentar o Norte da Ilha, em Florianópolis, onde aparecia sempre nos beach clubs de Jurerê. Num desses passeios, foi vítima de assassinato sob tortura e de forma cruel.

O assassinato de um advogado gaúcho de 35 anos ocorrido em Florianópolis há exatos dois anos começou a ter seu desfecho na Justiça na terça-feira (2), no Tribunal do Juri na comarca da Capital.
Esposa Cândida Janaína, apontada como mandante do crime, sendo prena em Florianópolis.l Foto: divulgação

O corpo estava numa rua sem saída no bairro Rio Vermelho. A Polícia descobriu que a morte foi uma encomenda da sua própria esposa, a cabeleireira Cândida Janaina da Conceição Ribeiro, de 46 anos. Ela é natural de Porto Alegre, mas residia com Carlos em Gravataí, na região Metropolitana da capital gaúcha.

Segundo a Polícia, Cândida pagou R$ 50 mil para cada um dos cinco cúmplices que atuaram na execução do advogado. Três deles são catarinenses e pessoas que a vítima conhecia. Quatro deles receberam a acusação de agredir e matar Carlos Eduardo com golpes de faca, garfo e até mesmo um moedor de carne. Segundo a Polícia, Janaina arquitetou uma vingança pela violência doméstica que sofria.

Barra da Lagoa

Dois dos acusados do crime inclusive já haviam sido defendidos na Justiça por pela vítima. Na noite em que Carlos morreu, todos estavam em hospedagem num resort na Barra da Lagoa, local onde Carlos Eduardo costumava permanecer há 10 anos, sempre que vinha para Florianópolis. Ali, todos usaram cocaína. Quando a droga acabou, o advogado saiu do local na companhia de quatro dos criminosos, sob o pretexto de buscar mais cocaína. Os quatro eram João Eduardo Bitencourt Alves, na época com 33 anos, o “Gordo”, natural de Lages, Patrick de Lima Garcia, de 37 anos, o “Tatuador”, natural de Lages, Alan Voltz Machado Batista, de 27 anos, natural de Gravataí (RS) e Lucio Munhoz da Silva, de 23 anos, o “LC”, natural de Alvorada (RS).

Carlos Eduardo se intitulava o “showman” e ostentava luxo nas redes sociais. Foto: divulgação

A Polícia descobriu que no trajeto entre o hostel e a boca de tráfico onde iriam buscar mais cocaína, o advogado foi vítima de uma emboscada. Ainda dentro do carro, ele recebeu agressões com socos e objetos cortantes. Os criminosos jogaram Carlos Eduardo ainda vivo dentro do porta-malas do seu próprio carro, um BMW, mas, como se debatia muito, acabou no banco de trás do veículo e depois abandonado numa rua sem saída no bairro Rio Vermelho, onde o corpo foi estava na manhã seguinte.

Durante a execução do advogado, Janaina permaneceu no hostel na companhia de uma mulher que seria empregada doméstica do casal e um outro homem, Jonathan Felizardo Cândido, de 23 anos, o “Gordinho”, natural de Florianópolis.

Objetos foram furtados

Os quatro acusados de cometer o crime retornaram ao hostel, onde receberam roupas limpas que pertenciam ao próprio advogado e também produtos de limpeza para remover o sangue do veículo e evitar a Justiça.

Além do crime de homicídio, os quatro que participaram das agressões também cometeram roubo, pois levaram o par de tênis que o advogado usava, além de um celular, uma corrente e uma pulseira de ouro – avaliados em pouco mais de R$ 19 mil e posteriormente comercializados no centro de Florianópolis. Além disso, ainda usaram o cartão da vítima para abastecer e fazer compras, conforme vídeos de monitoramento interno de um estabelecimento obtidos pela Polícia.

Dois dois acusados, Alan e Lucio, afirmaram em seus depoimentos que fazem parte do grupo criminoso chamado “Bala na Cara”, que atua no Rio Grande do Sul como um braço do PCC paulista. A polícia também obteve imagens das proximidades do Hostel onde Alan, Lucio, Jonathan e João aparecem saindo com a vítima e retornando mais tarde sem o advogado.

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