Região Grande Florianópolis

Investigado por corrupção, ex-secretário Ed Pereira é afastado da Maçonaria

Organização milenar divulgou decreto apontando “ilicitudes” de seu membro

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Investigado por corrupção, ex-secretário Ed Pereira é afastado da Maçonaria
Ex-secretário Ed Pereira. Foto: divulgação.

O ex-vereador e ex-secretário municipal em Florianópolis Ed Pereira, principal investigado na chamada Operação Presságio da Polícia civil, que apura um esquema de corrupção na terceirização da coleta do lixo na Capital, foi suspenso de sua participação na maçonaria, conforme decreto publicado pela direção da Loja Maçônica de Santa Catarina.

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O documento, assinado pelo grão-mestre Paulo Meira de Albuquerque, aponta que Ed Pereira é “suspeito de envolvimento em ilicitudes no âmbito da administração Pública Municipal de Florianópolis”, podendo ainda ser expulso permanentemente da organização. A informação foi apurada pelo jornalista catarinense Fábio Bispo, que também é presidente do Sindicato dos Jornalistas no estado.

De acordo com seus estatutos internos, a maçonaria é uma instituição filosófica, filantrópica, educativa e progressista que, embora seja atrelada constantemente a crenças espirituais, não é uma religião. Entre os seus princípios, destacam-se a liberdade, igualdade e fraternidade. Criada na Europa no século 13, a organização mantém tradições ortodoxas como, por exemplo, não aceitar a participação de mulheres.

Ed Pereira comandou por quatro anos a secretaria municipal de Turismo, Cultura e Esporte, onde administrou verbas públicas que seriam destinadas a dezenas de projetos ligados à pasta. A polícia acredita que grande parte desse dinheiro tenha sido desviado para uma associação criminosa liderada pelo ex-secretário, que foi afastado da função pública em 18 de janeiro, após a primeira etapa da operação que fez buscas em diversos endereços ligados ao grupo.

Um relatório da Polícia Civil a que o Gnews teve acesso calcula que, somando diferentes contas bancárias, Ed Pereira movimentou cerca de R$ 870,5 mil com o esquema. Um dos depósitos em especial chamou a atenção dos policiais, num valor de R$ 6,6 mil, feito pelo doleiro Marcelo Lucena da Silva, que, segundo a polícia, trabalha para organizações criminosas dentro e fora do Brasil.

Em outras contas que ainda estão sendo calculadas, Ed Pereira recebeu inúmeros depósitos bancários, sempre com valor inferior a R$ 2 mil, sem identificação do remetente, sendo vários deles no mesmo dia.

Outros depósitos teriam sido feitos em nome do empresário Carlos Faria, diretor da empresa Amazon Fort, com sede em Porto Velho, Rondônia, contratada para fazer a coleta do lixo na capital. O dinheiro teria sido repassado diretamente para Gilliard Osmar Santos, que nos últimos 10 anos trabalhou como assessor de Ed Pereira, tanto na Câmara de Vereadores quanto na Prefeitura.

Ao iniciar uma investigação sobre a terceirização da coleta do lixo, a polícia acabou encontrando indícios de irregularidades em outras situações ligadas à pasta, como projetos sociais de escolinhas de futebol espalhadas pela Ilha, que apresentavam notas fiscais frias para justificar gastos, desviando o dinheiro para contas ligadas aos investigados.

Uma das notas apresenta gastos com lavanderia de uma escolinha, sendo que os alunos, todos de um projeto social para crianças em situação de vulnerabilidade, levavam os fardamentos de treino para serem lavados em suas casas.

Foto: divulgação

Outro projeto agora investigado funcionava na piscina pública situada no completo da passarela Nego Quirido, que até o final do ano passado costumava reunir cerca de 800 crianças das comunidades em aulas de natação. Os alunos eram trazidos de cinco diferentes núcleos da Capital, como a Barra do Sambaqui e o Morro do Quilombo. No final de 2023, a reportagem do Guararema News denunciou com exclusividade o cancelamento do projeto, sem que nenhuma explicação fosse dada às famílias envolvidas.

Na oportunidade, a assessoria do então secretário Ed Pereira informou que o projeto seguia paralisado pois a iniciativa passaria por reestruturação para melhorar as condições de atendimento aos participantes. “A receptação de recursos deve ser outro fator que impactará positivamente no retorno do projeto”, afirmou a nota.

A defesa de Ed Pereira tem se manifestado informando que a inocência do ex-secretário ficará esclarecida ao final do processo, e que ele está colaborando com as investigações.

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