Região Grande Florianópolis

Indígena catarinense Jozileia Kaingang fala na COP 28 em Dubai

Ex-covereadora em Florianópolis, Joziléia é secretária no Ministério dos Povos Indígenas

Indígena catarinense Jozileia Kaingang fala na COP 28 em Dubai
Jozielia na mesa principal em Dubai. Foto: divulgação

A professora catarinense Jozileia Kaingang, que desde janeiro trabalha como Secreária do Direito Ambiental no Ministério dos Povos Indígenas em Brasilia está em Dubai, participando da COP 28, conferência mundial que discute as questões do Meio Ambiente no mundo. Esta é a segunda vez que Jozileia participa do evento. No ano passado, ela esteve como convidada na COP 27, no Egito.

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Na quarta-feira (29), Jozileia esteve na mesa principal do painel “Contando com um Futuro Sustentável: Conferência Global sobre Dados de Gênero e Meio Ambiente”, que discutiu a produção de dados sobre as relações entre as mulheres, o clima e meio ambiente. Falando sobre o tema “Por trás dos números: dados indígenas para alimentar a defesa e impulsionar a mudança”, a secretária informou à audiência que há no Brasil 305 povos indígenas que preservam 274 línguas e reúnem uma população de 1.693.535 pessoas, sendo que 50% são mulheres.

Jozileia apontou estas mulheres como detentoras de conhecimento e defensoras do meio ambiente. Como agricultoras e guardiãs das sementes, as mulheres indígenas trabalham na floresta e em outros biomas, respeitam os recursos naturais e adotam boas práticas no trato de seus territórios, fazendo também pesquisas ao manejar, selecionar e modificar as sementes.

Segundo a secretária, há muitas pesquisas acadêmicas feitas sobre povos indígenas, mas muito poucas sobre mulheres indígenas. E quase não há no Brasil pesquisas conjuntas com a população indígena ou de pesquisadores indígenas. Outras participantes do debate também apontaram a necessidade de investimento em pesquisas que gerem dados sobre as mulheres indígenas, ribeirinhas e de comunidades tradicionais, que possam subsidiar governos, empresas, e sociedade civil nas propostas de mitigação dos impactos do aquecimento global.

Foto: divulgação

“Para o enfrentamento às mudanças climáticas, é importante que a gente tenha subsídios e esses subsídios virão dessas pesquisas que forem feitas com as populações indígenas, mas sempre trazendo presente as populações indígenas na pesquisa, como pesquisadores, levando em consideração as línguas e o consentimento prévio, livre, informado”, disse a secretária, destacando que quem mais tem sofrido os impactos do aquecimento global são as populações que estão na periferia, seja na periferia das grandes cidades, seja nas periferias sociais como os povos indígenas e as mulheres indígenas, particularmente.

Jozileia Kaingang falou ainda do acordo de cooperação entre o MPI e o Ministério das Mulheres para desenvolver o programa Mulheres Guardiãs que tratará do fortalecimento das mulheres na proteção do meio ambiente e de seus territórios, além do combate à violência contra as mulheres indígenas, e da construção de políticas públicas baseadas nos debates e pesquisas junto às mulheres que vivem e defendem os diferentes biomas brasileiros.

Moderada por Jade Begay, diretora multimídia da etnia Diné e Tesuque da América do Norte, a mesa contou ainda com a participação de Aisatou Musa, coordenadora do Grupo Feminino Anura Ntabang de Camarões; Dra. Elizabeth Imti, oficial do Programa Pacto dos Povos Indígenas da Ásia (AIPP), e Sara Bó Ché do povo Maya Q’eqchi da Guatemala e assistente social da Asociacion Tikonel.

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