
Um ano após um grave acidente, o trecho do Morro dos Cavalos, na BR-101, segue sem solução definitiva e continua oferecendo riscos a motoristas. Problemas antigos de infraestrutura, somados ao alto fluxo de veículos e às condições geológicas, mantêm a insegurança no local.
Acidente com caminhão-tanque marcou a região
Em 6 de abril de 2025, um caminhão-tanque carregado com etanol tombou na rodovia e pegou fogo. As chamas se espalharam rapidamente e destruíram 24 carros e três carretas.
Além disso, cinco pessoas sofreram queimaduras, incluindo o motorista e uma passageira do caminhão. Equipes de resgate socorreram as vítimas, que foram encaminhadas em estado grave a hospitais, mas sobreviveram. Outras três pessoas tiveram ferimentos leves.
Resgate enfrentou dificuldades com trânsito bloqueado
Logo após o acidente, o bloqueio total da rodovia por cerca de 15 horas dificultou o trabalho das equipes. As filas de veículos impediram a chegada rápida do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.
Diante disso, as equipes precisaram remover parte do guard-rail para liberar passagem e organizar o tráfego. Somente depois dessa ação, os socorristas conseguiram atuar com mais eficiência.
Além das chamas nos veículos, os bombeiros também combateram o avanço do fogo na vegetação e evitaram que o incêndio atingisse outro caminhão com produtos perigosos.
Falta de acostamento agrava situação
A ausência de acostamento no trecho contribuiu diretamente para a gravidade da ocorrência. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, essa limitação aumenta o impacto de acidentes e dificulta o atendimento.
Como resultado, qualquer ocorrência no local costuma provocar longas filas e horas de espera, afetando milhares de motoristas.
Investigação aponta perda de controle
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu que o motorista do caminhão perdeu o controle da direção ao desviar a atenção para um acidente na pista contrária.
Além disso, a análise técnica indicou que ele trafegava abaixo da velocidade permitida e não apresentava sinais de embriaguez. Como as vítimas não apresentaram denúncia, as autoridades não indiciaram o condutor, e o caso foi arquivado após análise do Ministério Público.
Histórico de problemas e riscos geológicos
Os problemas no Morro dos Cavalos não são recentes. Desde a duplicação da rodovia, na década de 1990, o trecho opera sem acostamento, o que especialistas consideram um erro estrutural.
Além disso, as características naturais da região aumentam o risco. Encostas íngremes e rochas fragmentadas favorecem deslizamentos, especialmente em períodos de chuva intensa.
Em 2024, por exemplo, o acúmulo de cerca de 450 milímetros de chuva em 24 horas provocou deslizamentos e interditou a rodovia por mais de 50 horas.
Órgãos monitoram trecho constantemente
Atualmente, a Defesa Civil de Santa Catarina mantém monitoramento constante da região. Em conjunto com outros órgãos, as equipes atuam em regime de alerta sempre que há previsão de chuvas intensas.
Assim, o grupo coordena ações preventivas para reduzir riscos e agir rapidamente em casos de emergência.
Número de acidentes apresenta queda recente
Apesar dos problemas, as autoridades registraram queda no número de acidentes nos últimos anos. Entre 2024 e 2025, os registros caíram 36%, enquanto o número de feridos diminuiu 25%.
Ainda assim, o trecho continua crítico. Somente nos primeiros meses de 2026, sete acidentes já ocorreram, com seis pessoas feridas e uma morte.
Trecho segue sem solução definitiva
Por fim, mesmo após a tragédia, o Morro dos Cavalos continua sem uma solução estrutural definitiva. Enquanto isso, motoristas enfrentam diariamente um cenário de risco, marcado por limitações de infraestrutura e ameaças naturais constantes.

