
O número de mortes confirmadas no terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10) chegou a 132 pessoas, com 570 feridos até o momento, de acordo com a Associação Colombiana de Ciudades Capitales. O abalo sísmico de magnitude 7,4 foi sentido por mais de quatro minutos em algumas cidades, embora o evento principal tenha durado cerca de 96 segundos.
As cidades mais afetadas são Cali, Pereira e Manizales. Vídeos que circulam na internet mostram o tamanho da catástrofe. Num deles, um prédio de esquina despenca completamente, formando uma nuvem de fumaça. Em outro vídeo, um hospital universitário desaba completamente. Confira:
Nacidade de Cali, equipes de emergência conseguiram resgatar dos escombros uma mâe com seu bebê de apenas dois meses. Nas reedes sociais, se espalham cartazes com fotos e informações de pessoas que seguem desaparecidas.


A Conmebol suspendeu dois jogos das oitavas de final da Copa Sul-Americana e Libertadores devido à tragédia. As partidas Tolima x Independiente Del Valle e Santa Fe x River Plate foram adiadas para garantir a segurança. O terremoto levou o presidente Abelardo de la Espriella a declarar emergência nacional.
Os Estados Unidos anunciaram uma ajuda de US$ 15,5 milhões (aproximadamente R$ 79,16 milhões) destinada a ações de emergência na Colômbia. Os recursos serão para abrigos de emergência, alimentação, proteção e avaliações dos danos.
Mais cedo, outros países também se dispuseram a enviar recursos à Colômbia. Equador, Venezuela, Chile, México e Panamá estão na lista. O Brasil também afirmou que “está à disposição para prestar o apoio necessário”. Horas depois, o governo de São Paulo “colocou sua estrutura à disposição das autoridades colombianas para prestar apoio, caso haja solicitação oficial”.
Entenda o Terremoto na Colômbia
De acordo com o Serviço Geológico da Colômbia (SGC), a duração de um terremoto pode ser medida de maneiras diferentes. Uma delas considera o tempo da ruptura que libera energia no interior da Terra; outra, o período durante o qual os instrumentos registram as vibrações; e há ainda o intervalo em que o movimento é efetivamente percebido pelas pessoas.
Isso acontece porque a energia liberada pelo terremoto viaja pelo interior e pela superfície da Terra por meio de diferentes tipos de ondas sísmicas, que se deslocam em velocidades distintas. Assim, mesmo depois do fim da ruptura que originou o terremoto, as ondas geradas pelo evento podem continuar chegando a diferentes localidades e fazendo o solo vibrar.

Outro fator que ajuda a explicar a sensação prolongada é o chamado efeito de sítio, fenômeno associado às características do terreno e à maneira como o solo responde às ondas sísmicas.
Em entrevista à “BLU Radio”, Julio Fierro, diretor do Serviço Geológico da Colômbia, explicou que determinados tipos de solo podem amplificar as ondas e fazer com que o movimento seja percebido por mais tempo. Para ilustrar o fenômeno, ele comparou o terreno a um tanque cheio de água.
“O tanque pode vibrar, mas a água dentro dele vibra por muito mais tempo”, explicou. Esse efeito é especialmente relevante na Savana de Bogotá, principalmente nas áreas planas. Segundo Fierro, as características do subsolo da região ajudam a prolongar as vibrações provocadas pelo terremoto.
A explicação está relacionada à própria história geológica da região. Onde hoje fica a Savana de Bogotá existiu o antigo Lago Humboldt, cuja presença deixou depósitos e sedimentos no subsolo. Esse tipo de terreno pode modificar a maneira como as ondas sísmicas se propagam.
“Ainda estamos sentindo, por assim dizer, a influência dessa marca geológica”, disse Fierro. Por isso, a duração percebida de um terremoto não depende apenas de sua magnitude. A profundidade do hipocentro, a distância em relação ao local onde ocorreu a ruptura e, principalmente, as características do terreno podem fazer com que o movimento seja sentido de maneiras diferentes em cada cidade.
A magnitude do terremoto desta segunda-feira também contribuiu para que as vibrações fossem percebidas a grandes distâncias. Segundo Fierro, foi o tremor mais forte registrado na Colômbia na última década e um dos mais intensos deste século. Como comparação, o diretor do SGC citou o terremoto de Tumaco, de 1979, que atingiu magnitude 8,1.
A Colômbia está em uma região de intensa atividade sísmica devido à interação de diferentes placas tectônicas. Na costa do Pacífico, a placa de Nazca se desloca sob a placa Sul-Americana em um processo conhecido como subducção, responsável por uma parcela importante dos terremotos registrados no país.
Após o tremor principal, também foram registradas réplicas. Fierro ressaltou, no entanto, que não é possível prever quando esses novos abalos ocorrerão nem qual será a magnitude deles.
“É impossível prever quando acontecerá, muito menos sua magnitude”, afirmou. O diretor do SGC também pediu que a população consulte fontes oficiais antes de compartilhar informações sobre supostas réplicas, diante da circulação de mensagens sem confirmação nas redes sociais.

