
Na manhã de domingo (27), moradores da Praia do Forte, no norte de Florianópolis, se reuniram em frente à icônica Fortaleza de São José da Ponta Grossa, em uma mobilização contra a decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
A ação, que ameaça a demolição de oito casas na região, tem gerado um clima de tensão e insegurança jurídica. De acordo com os moradores, a ação de despejo pode acontecer na próxima terça-feira (29). O Instituto considera que o terreno onde estão localizadas as casas seria destinado à construção de estacionamentos futuramente, gerando um impasse com a comunidade local.
A decisão do IPHAN segue uma série de ações que visam desapropriar imóveis na Praia do Forte, uma área histórica e tradicional da capital de Santa Catarina. Em fevereiro deste ano, a comunidade conseguiu reverter a demolição de oito imóveis, após uma intensa mobilização de moradores e apoiadores. No entanto, a situação voltou à tona com uma nova tentativa de remoção de mais casas, prevista para a próxima terça-feira (29/04).
Nova Ação de Demolição
Nesta terça-feira (29), quatro imóveis, incluindo três residências, estão na mira da ação de demolição. A população local, que já viveu gerações no local, expressa indignação com o que consideram uma especulação imobiliária, sem qualquer compensação para as famílias que ali habitam há décadas.
Seu Ivânio Alves da Luz, nascido na Praia do Forte, é um dos moradores afetados. Ele herdou de seu pai, que havia herdado de seu avô, e assim sucessivamente, um restaurante que hoje serve como mercado, sustentando sua família. “Se os Beach Clubes podem, por que a gente não?”, questiona, demonstrando o contraste entre grandes empreendimentos e as famílias locais.
Mobilização Contra a Demolição
A comunidade da Praia do Forte não está disposta a ceder facilmente. Para o dia da demolição, portanto, marcado para terça-feira, eles prometem estar unidos em vigília. A concentração deve começar já na segunda-feira (28), em uma tentativa de impedir mais essa ação contra a história e o sustento de suas famílias. Eduardo Jaques da Luz, sobrinho de Ivânio e membro da Associação de Moradores da Praia do Forte, enfatiza que “nossa gente não pode pagar pelo progresso”.

