Região Santa Catarina

Juros altos provocam falências e recuperações judiciais no Brasil

Só em janeiro foram abertos 72 pedidos de falência e 92 empresas pediram recuperação judicial

Autor
Juros altos provocam falências e recuperações judiciais no Brasil
Cervejaria Petrópolis entrou em recuperação judicial. Foto: divulgação

O sistema financeiro no Brasil apresentou em fevereiro uma queda de 9,5% na concessão de novos créditos e financiamentos no País em relação a janeiro. Os dados são do Banco Central (BC) e foram divulgados na semana passada. A situação vem sendo apontada como um dos sintomas do chamado remédio amargo que vem sendo aplicado pelo próprio BC com a manutenção dos juros da taxa Selic em 13,75%.

Para especialistas, a política que tem feito o país ter a maior taxa de juros do mundo prejudica a saúde financeira das empresas. Em especial, são dois fatores: a necessidade de recursos para pagar dívidas que muitas vezes foram contraídas em cenários onde as taxas estavam perto da mínima, caso de 2021, e a dificuldade ou receio dos consumidores na aquisição de produtos que não sejam indispensáveis.

Antonio Sá, especialista em varejo e professor de pós-graduação de algumas das principais escolas de negócios do país, diz que ao participar de vários fóruns de varejistas tem a nítida impressão de que as vendas relacionadas à Copa do Mundo, ao Natal e às festas de fim de ano ficaram muito abaixo do esperado.

“Isso vem em consequência de menos crédito para o consumidor; pessoas endividadas, inflação, juros altos. Ou seja, não houve uma venda como que os varejistas esperavam”, afirmou ele.

A Presidente do Conselho de Administração da Magazine Luiza, Luiza Trajano é categórica: “Todo mundo está preocupado é com a falta de mercado, de venda, e sabe que juros altos são o primeiro fator para atrapalhar isso”, sentenciou ela, em recente fórum.

A decisão do órgão responsável pela política monetária do país de manter a Selic em 13,75% pela quinta vez seguida desagradou a indústria.

Em nota divulgada após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que não só manteve a taxa, mas também ameaçou o país com a possibilidade de aumento, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou ver uma postura equivocada que “apenas traz custos adicionais para a atividade econômica” nacional.

A posição da CNI coincide com a avaliação apresentada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), no mesmo dia em que o Copom tomou sua decisão. Haddad disse que o atual patamar da Selic pode comprometer o crescimento econômico do Brasil.

“É fundamental levar em consideração que os eventos adversos relacionados a grandes empresas varejistas no Brasil terão influência negativa sobre o mercado de crédito. Esses acontecimentos têm levado ao aumento de provisões por parte dos bancos, o que reduz a oferta e tende a encarecer o crédito. Assim, deve haver retração das concessões de crédito nos próximos meses, com reflexos negativos sobre a atividade econômica”, diz a Nota publicada pela CNI.

Falências e pedidos de recuperação judicial

Levantamento do Serasa Experian dá conta de que no primeiro mês de 2023 foram abertos 72 pedidos de falência. Em janeiro, de acordo com o estudo, também 92 empresas pediram recuperação judicial. É o maior nível de revés empresarial em três anos.

Se as Micro e as Pequenas Empresas são a maioria, respondendo por dois terços dos pedidos, chama a atenção que no primeiro mês do ano, 15 empresas de grande porte tiveram que se abrigar em processos de recuperação judicial. Um número três vezes maior do que em 2021.

No último dia 27 foi a vez da Cervejaria Petrópolis, dona das marcas Itaipava, Crystal e Petra. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro com dívidas que chegam a R$ 4,2 bilhões. O grupo informou que enfrenta uma crise de liquidez há aproximadamente 18 meses. O motivo a redução em sua receita somada ao aumento da taxa básica de juros.

“A combinação desses fatores, exógenos e alheios ao controle das requerentes, gerou uma crise de liquidez sem precedentes no Grupo Petrópolis, que comprometeu seu fluxo de caixa a ponto de obrigá-lo a buscar a proteção legal com o ajuizamento deste pedido de recuperação judicial”, sustenta a cervejaria em sua petição. Só o aumento da Selic vem gerando um impacto de aproximadamente R$ 395 milhões por ano no fluxo de caixa da Cervejaria Petrópolis.

Com informações do Portal Extra Classe.

Róbinson Gambôa

Sobre o autor

Róbinson Gambôa

Experiênte jornalista, atua na região da Grande Florianópolis, se dedicando aos factuais do dia a dia e também a matérias mais autorais com foco em temas diversos. Entre suas especialisdades está a editoria de política e segurança publica. Gambôa também contribui com conteúdo esportivo.

Ver todas as matérias de Róbinson Gambôa