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IA na medicina avança e acende alerta ético

Especialistas defendem proteção de dados, validação dos algoritmos e supervisão médica para evitar riscos aos pacientes

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IA na medicina avança e acende alerta ético
Foto: Reprodução

A inteligência artificial já ajuda médicos a analisar exames, identificar doenças e definir tratamentos. No entanto, o avanço acelerado da tecnologia também aumenta os riscos relacionados à privacidade, aos erros dos algoritmos e à responsabilidade pelas decisões clínicas.

Diante desse cenário, os radiologistas Giovanni Guido Cerri e Cesar Namura discutiram os limites éticos da IA durante uma conversa com o cardiologista Roberto Kalil. Os especialistas defenderam regras que protejam os pacientes sem impedir a inovação na área da saúde.

Além disso, eles cobraram mais controle sobre os dados utilizados pelos sistemas. Ao mesmo tempo, alertaram que os hospitais e os médicos precisam validar as ferramentas antes de incorporá-las ao atendimento.

Como a inteligência artificial usa os dados dos pacientes?

Os sistemas de IA analisam grandes volumes de informações para reconhecer padrões e produzir respostas. Na medicina, as ferramentas podem processar exames, históricos clínicos, diagnósticos e dados genéticos.

Por isso, hospitais, clínicas e empresas precisam retirar qualquer informação capaz de identificar o paciente. Esse processo, chamado de anonimização, reduz o risco de vazamentos e dificulta o uso indevido dos dados.

Segundo Giovanni Cerri, a tecnologia já oferece mecanismos para proteger essas informações. Contudo, as instituições precisam adotar protocolos de segurança e fiscalizar continuamente o funcionamento dos sistemas.

Além disso, os profissionais devem informar os pacientes sempre que utilizarem a inteligência artificial como apoio relevante no diagnóstico ou no tratamento.

Por que os algoritmos podem errar?

A inteligência artificial aprende a partir dos dados usados durante o treinamento. Portanto, se os desenvolvedores alimentarem o sistema com informações incompletas ou pouco variadas, a ferramenta poderá repetir essas distorções.

Um algoritmo treinado apenas com dados de pacientes da Suécia ou da China, por exemplo, pode não representar corretamente a população brasileira. Afinal, fatores genéticos, sociais, ambientais e epidemiológicos influenciam os resultados.

Dessa forma, pesquisadores e instituições precisam testar cada ferramenta dentro do sistema de saúde brasileiro. Além disso, devem incluir diferentes grupos populacionais nos bancos de dados.

Sem essa validação, o algoritmo pode ignorar características importantes, cometer erros e até reproduzir desigualdades. Consequentemente, o sistema poderá oferecer respostas menos precisas para determinados pacientes.

A IA pode substituir o médico?

Não. Embora a inteligência artificial consiga analisar informações rapidamente, o médico precisa avaliar cada resultado e tomar a decisão final.

Em fevereiro de 2026, o Conselho Federal de Medicina publicou uma resolução que regulamenta o uso da tecnologia no país. A norma permite que os profissionais utilizem a IA como apoio, mas mantém o médico como responsável pelas decisões clínicas.

Além disso, a resolução proíbe que o profissional transfira para a tecnologia a comunicação de diagnósticos, prognósticos ou tratamentos. Portanto, a ferramenta pode sugerir caminhos, mas não pode assumir o comando do atendimento.

O médico também poderá aceitar ou rejeitar a recomendação do sistema. No entanto, deverá analisar a resposta de forma crítica, considerar as condições do paciente e registrar o uso da IA no prontuário.

Quais direitos os pacientes mantêm?

Mesmo com o avanço da tecnologia, o paciente permanece no centro do atendimento. Por isso, o médico deve explicar quando e como utilizou a inteligência artificial.

Confira os principais direitos:

  • Receber informações claras sobre o uso da IA;
  • Manter os dados pessoais protegidos;
  • Recusar o uso da tecnologia;
  • Buscar uma segunda opinião médica;
  • Receber o diagnóstico diretamente de um profissional;
  • Não participar de procedimentos experimentais sem consentimento;
  • Exigir privacidade e confidencialidade.

Além disso, a IA não pode enfraquecer a escuta, a empatia e o contato humano. Dessa maneira, a tecnologia deve apoiar o trabalho do médico, e não afastá-lo do paciente.

Como o Brasil pretende regulamentar a IA?

O Congresso Nacional discute uma legislação mais ampla para controlar o uso da inteligência artificial. Inicialmente, o projeto classificava todas as aplicações da tecnologia na saúde como de alto risco.

Giovanni Cerri avaliou que o texto original impunha restrições excessivas. Por isso, especialistas participaram das discussões e defenderam alterações. Atualmente, a proposta tramita na Câmara dos Deputados.

Para os pesquisadores, a legislação precisa estimular a inovação e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos. Portanto, o texto deve exigir transparência, validação científica, proteção de dados e supervisão humana.

Assim, a inteligência artificial poderá acelerar diagnósticos, aumentar a precisão dos exames e melhorar o atendimento. Porém, o setor só aproveitará esses benefícios se preservar a segurança, a autonomia e a dignidade dos pacientes.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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