
A Fifa abandonou, nesta sexta-feira (31), o plano de vender 20% de sua nova divisão comercial para investidores externos por US$ 4,2 bilhões. O recuo da entidade ocorreu após a resistência de federações-membros e dirigentes da própria instituição. O presidente da organização, Gianni Infantino, cedeu à pressão do meio esportivo e cancelou a proposta para conter o desgaste.
Resistência liderada pela Europa
O projeto previa a criação de uma nova empresa para gerenciar eventos e ativos da entidade. No entanto, a ideia encontrou oposição imediata da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA). Assim, a liderança do futebol europeu chegou a ameaçar um boicote à próxima Copa do Mundo, o que inviabilizou a proposta.
A crise interna na entidade ganhou força com a reação da própria equipe do presidente. O assessor sênior do dirigente, Carlos Cordeiro, pediu demissão na sexta-feira em protesto contra a iniciativa. Além disso, o diretor de operações, Kevin Lamour, criticou abertamente a conduta de Infantino ao afirmar que o presidente agiu de forma isolada no processo.
Conexões políticas e o fim do projeto
A transação envolvia o fundo Thrive Eternal entre os principais investidores do consórcio. A empresa tem como fundador o irmão do genro de Donald Trump, o ex-presidente dos Estados Unidos. Esse elemento político aumentou a desconfiança de dirigentes sobre as reais intenções da mudança estrutural.
Em comunicado oficial, Gianni Infantino admitiu que a proposta provocou uma fratura irreparável no futebol mundial. Por causa do racha político, o presidente da entidade preferiu encerrar as negociações para evitar maiores prejuízos institucionais. Por fim, o recuo consolida a maior derrota política de sua gestão à frente da Fifa.

