
O Banco Central (BC) classificou como secretos os documentos que detalham a liquidação extrajudicial do Banco Master, restringindo o acesso público às informações por um período de oito anos. Segundo informações obtidas pela CNN via Lei de Acesso à Informação (LAI), o sigilo sobre os processos deve durar até novembro de 2033.
Decisão do BC
A decisão de restringir os dados partiu do presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025. De acordo com a autarquia, a publicidade imediata do caso Master prejudicaria o interesse público e a preservação da estabilidade econômica e monetária do Brasil. Além disso, o BC sustenta que o segredo protege atividades de inteligência e fiscalização que ainda buscam reprimir infrações ligadas ao conglomerado.
Pressão do Tribunal de Contas
Apesar da imposição do sigilo, o Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou uma ofensiva para aumentar a transparência do processo. No final de março de 2026, o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, questionou a autoridade sobre a possibilidade de liberar os documentos.
No despacho assinado em 24 de março, o ministro solicitou que o Banco Central especifique quais trechos realmente necessitam de restrição. O tribunal busca entender se a documentação deve permanecer oculta ou se partes do processo podem vir a público para esclarecer a conduta do BC.
Relembre o caso do Banco Master
O Banco Central decretou a interrupção das atividades do Banco Master em novembro de 2025, após identificar uma “grave crise de liquidez” e violações severas às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Ademais, na época do colapso, o conglomerado representava cerca de 0,57% dos ativos totais do sistema financeiro brasileiro. Mesmo com a liquidação em curso, o caso segue sob forte acompanhamento de senadores e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que promoveu mudanças internas e demissões após o episódio.

