
O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. (Will Bank). A medida estende o processo iniciado em novembro de 2025 com o Banco Master, instituição que detinha o controle do banco digital. Em ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, a autoridade monetária justificou a decisão citando a insolvência da empresa e o comprometimento de sua situação econômico-financeira.
Entenda o que acontece com o investidor
Com a interrupção das atividades, os investidores que possuem Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Will Bank passam a depender do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo assegura o pagamento de até R$ 250 mil por CPF, seguindo as regras vigentes.
Atualmente, o FGC já gerencia o maior desembolso de sua história devido ao caso Master:
- Total previsto: R$ 40,6 bilhões.
- Público atingido: Cerca de 800 mil investidores.
- Status atual: 448 mil credores já finalizaram o processo de solicitação.
Bloqueio de bens pelo BC
Além de encerrar as operações, o BC nomeou a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda. como liquidante oficial. Simultaneamente, a Justiça determinou a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores, incluindo nomes como Daniel Vorcaro e as holdings Will e Master.
Essa medida visa garantir que os ativos dos responsáveis sejam preservados para o eventual pagamento de credores e outras obrigações legais, uma vez que o BC considera a situação da financeira “irrecuperável”.
Crise e tentativa frustrada de venda
Embora o Will Bank tenha sido poupado inicialmente em novembro, a tentativa de salvar a operação fracassou. Na época, o Banco Central acreditava em uma possível venda da operação, mantendo a instituição sob regime de administração especial. No entanto, o negócio não se concretizou dentro do prazo de 120 dias.
Os números do primeiro semestre de 2024 já indicavam fragilidade:
- Prejuízo líquido: R$ 244,7 milhões.
- Ativos totais: R$ 14,4 bilhões.
- Depósitos a prazo: R$ 6,5 bilhões (em setembro).
Impacto imediato para os clientes
Antes mesmo do anúncio oficial nesta quarta-feira, os usuários do Will Bank já sentiam os efeitos da crise. Desse modo, a bandeira Mastercard suspendeu a aceitação dos cartões do banco após a instituição não honrar transações financeiras.
Ademais, a operadora de cartões executou garantias da dívida do banco, o que resultou na transferência de participações acionárias da varejista Westwing e do BRB (Banco de Brasília) para a Mastercard.

