
Animal encontrado encalhado com vida foi levado de Balneário Gaivota para a capital com escolta da PRF. Por viver em águas profundas, aparição na costa é considerada incomum.
O filhote de baleia cachalote-pigmeu, espécie rara e de águas profundas que mobilizou uma operação de resgate, morreu na manhã de quinta-feira (17). A informação foi confirmada pela ONG R3 Animal, entidade responsável pelo tratamento.
O animal foi encontrado encalhado com vida na praia de Balneário Gaivota, no Sul de Santa Catarina, e transportado em uma UTI móvel por 251 quilômetros até o Centro de Reabilitação em Florianópolis. A operação contou com escolta da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A cachalote era uma fêmea juvenil da espécie Kogia breviceps, com aproximadamente 1,80 metro de comprimento e 76,5 quilos que permaneceu dois dias e meio sob cuidados intensivos.
A R3 Animal detalhou que durante a noite anterior à morte, o estado de saúde começou a se agravar gradualmente. Equipe e voluntários se organizaram em plantões para acompanhar a cachalote 24 horas por dia.
“Aos poucos, a paciente chegou a apresentar pequenos sinais de melhora no nado. Os profissionais também permaneceram de prontidão para alimentá-la com papa de peixe por sonda, realizar hidratação e administrar medicamentos”, disse a R3 Animal em nota.
A necropsia será realizada para investigar as possíveis causas da morte e coletar amostras biológicas que poderão ser utilizadas em estudos científicos relacionados à conservação da espécie.
“Resgate histórico”
Por se tratar de um animal oceânico, que vive em águas profundas, a aparição de uma cachalote-pigmeu na costa é considerada bastante rara, conforme Suelen Santos, presidente da Educamar.
Ela afirmou ainda que a operação de resgate foi histórica. “Foi uma operação com bastante complexidade porque [a] BR-101 estava bastante movimentada e precisava ser feito o transporte com a maior agilidade possível. Então, a Polícia Rodoviária Federal foi extremamente importante no auxílio”.
A R3 Animal informou que a reabilitação de cetáceos é considerada desafiadora, especialmente no caso de espécies oceânicas. De acordo com a organização, esses animais são sensíveis ao estresse e ainda existem limitações no conhecimento sobre os procedimentos de reabilitação. Mesmo com sinais de melhora, o quadro clínico pode mudar rapidamente, segundo a ONG.

