
Nesta quarta-feira (15) a Polícia Federal do Brasil identificou negociações para contratar influenciadores digitais com o objetivo de atacar o Banco Central do Brasil e defender o Banco Master, no âmbito das investigações do caso Master. A apuração avançou após depoimentos colhidos entre o fim de 2025 e o início de 2026, quando criadores de conteúdo relataram abordagens com promessas de altos pagamentos.
PF intensifica investigação e cruza informações
A investigação ganhou ritmo. A Polícia Federal ouviu influenciadores, analisou contratos e cruzou dados de publicações nas redes sociais. A partir disso, os investigadores começaram a desenhar um possível esquema estruturado.
Segundo os relatos, agências de marketing procuraram criadores com propostas claras. Defender o banco e, ao mesmo tempo, criticar decisões do Banco Central. Além disso, os conteúdos deveriam reforçar uma narrativa específica, com linguagem alinhada e estratégia coordenada.
Ou seja, não se tratava de ações isoladas. A suspeita aponta para um movimento organizado, com planejamento e execução definidos.
Propostas altas e contratos com sigilo
Os valores chamam atenção. Influenciadores afirmaram que receberam ofertas que poderiam chegar à casa dos milhões. Em alguns casos, os contratos incluíam cláusulas rígidas de confidencialidade.
Além disso, uma das propostas previa multa de até R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Com isso, os investigadores passaram a tratar o caso com ainda mais cautela, já que os indícios apontam para uma operação robusta.
Na prática, a estratégia buscava influenciar a opinião pública. O objetivo seria construir uma percepção de que o banco teria sido prejudicado por decisões da autoridade monetária.
Rede de perfis levanta suspeitas
Ao mesmo tempo, a PF identificou padrões nas redes sociais. Pelo menos 40 perfis publicaram conteúdos semelhantes, com críticas direcionadas ao Banco Central e defesa do Banco Master.
Esse comportamento acendeu o alerta. Os investigadores passaram a analisar se houve coordenação direta entre os perfis ou uso de campanhas articuladas.
Assim, a investigação avança não só sobre os contratos, mas também sobre o alcance e o impacto das publicações.
Caso amplia debate sobre influência digital
O caso Master já envolve suspeitas de irregularidades financeiras e ganhou uma nova camada. Agora, levanta questionamentos sobre o uso de influenciadores para moldar debates públicos, especialmente em temas econômicos.
Enquanto isso, empresas citadas nas investigações negam irregularidades e afirmam que não atuaram de forma coordenada com o banco. Ainda assim, a PF segue aprofundando as apurações.
Agora, o foco está claro. Identificar quem financiou as propostas, como a estratégia foi organizada e até onde ela chegou.

