
O Ministério Público Federal abriu uma investigação para apurar se uma equipe da Globo cumpriu as regras de acesso a áreas restritas do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. A apuração envolve uma reportagem sobre a atuação da Receita Federal na alfândega. Agora, o MPF quer saber quem autorizou a entrada dos jornalistas, quais protocolos foram adotados e se a equipe passou pelos controles de segurança exigidos no terminal.
MPF cobra explicações sobre entrada da equipe
A investigação mira, principalmente, o acesso dos jornalistas a áreas sensíveis do aeroporto. Segundo informações publicadas pela Veja, o MPF apura se a equipe entrou no local sem passar por procedimentos obrigatórios, como revista de mochilas, equipamentos e demais materiais usados na gravação.
Além disso, o órgão quer verificar se a Receita Federal comunicou previamente a presença da equipe às chefias responsáveis e à Polícia Federal. Esse ponto pesa na apuração porque a PF afirmou que não recebeu aviso sobre a entrada dos jornalistas no espaço restrito.
Com isso, o caso deixou de envolver apenas a reportagem. Agora, a investigação também analisa a rotina de autorização, fiscalização e segurança dentro do Galeão.
Globo afirma que cumpriu protocolos
A Globo informou que ainda não havia sido notificada oficialmente sobre o procedimento. Mesmo assim, a emissora afirmou que sua equipe de jornalismo seguiu todos os protocolos exigidos pelos órgãos responsáveis.
Enquanto isso, a Receita Federal defendeu a autorização da gravação. O órgão sustenta que a reportagem acompanhou o trabalho de fiscalização alfandegária e que a entrada ocorreu dentro das regras aplicadas ao setor.
Na prática, portanto, o MPF terá que confrontar versões, documentos e comunicações internas. A partir daí, o órgão poderá definir se houve falha, omissão ou simples divergência entre os procedimentos da Receita e da Polícia Federal.
Caso expõe disputa entre Receita e PF
A investigação também escancara uma disputa institucional. De um lado, a Polícia Federal afirma que responde pela segurança aeroportuária. De outro, a Receita Federal sustenta que tem competência sobre os espaços alfandegários onde seus servidores atuam.
Essa divergência não começou agora. No início do ano, a Polícia Federal já havia barrado gravações da série “Aeroporto: Área Restrita”, do Discovery Channel, durante ações de fiscalização no Galeão.
Por isso, o novo caso ganhou peso. Ele não trata apenas da presença de uma equipe de TV em área restrita. Ele também pode ajudar a definir, com mais clareza, quem manda, quem autoriza e quem fiscaliza o acesso da imprensa em áreas sensíveis de aeroportos.
Inquérito ainda não aponta culpa
Apesar da abertura da investigação, o inquérito não representa condenação. O MPF ainda reúne informações, analisa documentos e deve ouvir os envolvidos antes de qualquer conclusão.
Mesmo assim, o caso já pressiona os órgãos federais a esclarecerem seus procedimentos. Afinal, aeroportos internacionais exigem controle rígido, comunicação precisa e responsabilidades bem definidas.
Por fim, a apuração deve indicar se a Globo cumpriu as regras, se a Receita autorizou corretamente a gravação e se a Polícia Federal deveria ter sido informada antes da entrada da equipe. Até lá, o caso segue em análise e coloca no centro do debate a segurança em áreas restritas do Galeão.

