
O dramaturgo Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos na manhã desta terça-feira (7), em São Paulo. O autor estava internado no Hospital do Coração (HCor) e não resistiu às complicações provocadas por insuficiência renal crônica, doença com a qual convivia havia cerca de três anos. A informação foi confirmada pela unidade hospitalar, que manifestou solidariedade aos familiares e amigos.
Reconhecido como um dos maiores nomes da teledramaturgia nacional, Benedito deixa um legado marcado por histórias que retrataram o campo brasileiro, a imigração e os conflitos pela terra. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, escreveu novelas que conquistaram diferentes gerações e se tornaram referências da televisão.
Entre suas obras mais consagradas estão Pantanal, O Rei do Gado, Terra Nostra, Velho Chico, Cabocla, Sinhá Moça e Meu Pedacinho de Chão. Além disso, suas produções ajudaram a consolidar um estilo narrativo que valorizava as paisagens rurais e personagens profundamente ligados à cultura brasileira.
Obras marcaram gerações e reinventaram o folhetim
Nascido em 17 de abril de 1931, Benedito Ruy Barbosa buscou inspiração na infância vivida em Vera Cruz, no interior paulista, cercado por cafezais e comunidades de imigrantes. Posteriormente, transformou essas experiências em histórias que ganharam enorme repercussão na televisão.
Sua trajetória começou na literatura com o livro Fogo Frio, publicado em 1959. Em seguida, atuou como jornalista e escreveu sua primeira novela para a TV Tupi, em 1966. Entretanto, foi a partir da década de 1970 que alcançou projeção nacional ao ingressar na TV Globo, onde assinou alguns dos maiores sucessos da dramaturgia brasileira.
Além disso, Benedito revisitou parte de sua própria obra ao escrever os remakes de Sinhá Moça, em 2006, e Meu Pedacinho de Chão, em 2014. Já em 2022, viu Pantanal ganhar uma nova versão escrita por seu neto, Bruno Luperi.
Legado permanece na história da televisão
Ao longo da carreira, Benedito Ruy Barbosa consolidou uma assinatura própria ao retratar temas como a vida no campo, disputas familiares, imigração italiana e questões sociais. Por isso, suas novelas ultrapassaram o entretenimento e passaram a integrar a memória afetiva de milhões de brasileiros.
Casado por 56 anos com a atriz Marilene Leonor Barbosa, falecida em 2014, o dramaturgo deixou quatro filhos e uma obra que continua influenciando autores, diretores e novas gerações da televisão brasileira. Seu legado permanece como um dos mais importantes da história da dramaturgia nacional.

