Região Brasil

Família tenta confirmar se filha morta ao nascer está viva em Goiás

Caso de 1970 volta à tona e leva polícia a iniciar investigação com exame de DNA

Autor
Família tenta confirmar se filha morta ao nascer está viva em Goiás
Foto: Ilustração

Uma família de Aparecida de Goiânia retomou, nesta semana, a busca por respostas sobre o destino da filha declarada morta horas após o parto em 1970, quando a Polícia Civil iniciou a apuração para verificar se uma mulher de 55 anos, criada por adoção e residente em Goiás, pode ser a criança que desapareceu da maternidade, com o objetivo de esclarecer um episódio marcado por dúvidas, ausência de documentos e sofrimento prolongado.

O nascimento e a notícia da morte

Em 2 de setembro de 1970, Benedita Souza de Paula deu à luz uma menina na então Maternidade Irmã Celina, em Goiânia. Pouco depois, funcionários informaram que o bebê havia morrido. No entanto, a unidade não entregou o corpo à família. Além disso, não apresentou certidão de óbito nem registro hospitalar do falecimento. Com o passar do tempo, documentos desapareceram e um incêndio destruiu parte dos arquivos do hospital, o que ampliou ainda mais as incertezas.

Desconfiança que nunca acabou

Desde então, Benedita e o marido, Geraldo Rosa de Paula, conviveram com a sensação de que algo não estava certo. Segundo o relato da família, logo após receberem a notícia da morte, funcionários pediram que doassem o enxoval da bebê a outra mãe. Por isso, a suspeita de que a criança pudesse ter sido entregue a terceiros ganhou força. Assim, a ausência de provas concretas manteve o caso sem resposta por décadas.

Uma possível pista após 55 anos

Agora, uma nova possibilidade reacendeu a esperança. A família identificou, por meio de redes sociais e chamadas de vídeo, uma mulher de 55 anos que foi adotada ainda bebê por um fazendeiro. Além da idade compatível, os parentes apontaram semelhanças físicas, como traços do rosto e uma covinha no queixo. Diante disso, os pais procuraram a Polícia Civil para formalizar a denúncia e pedir investigação.

A atuação da polícia

A Polícia Civil de Goiás abriu procedimento para apurar o caso. Os investigadores já coletaram material genético dos envolvidos e encaminharam as amostras para exame de DNA. O teste deve indicar se existe vínculo biológico entre a mulher e o casal. Caso a perícia confirme a relação, a família poderá buscar o reconhecimento legal da filiação e, se necessário, apurar eventuais responsabilidades da maternidade.

Esperança e cautela

Enquanto aguarda o resultado do exame, a família mantém a expectativa de finalmente descobrir a verdade. Ao mesmo tempo, adota postura cautelosa, já que o laudo pode confirmar ou descartar a hipótese. Ainda assim, os pais afirmam que precisam encerrar esse capítulo com uma resposta definitiva, seja ela qual for.

Depois de mais de meio século de incerteza, o avanço da investigação transforma a dor antiga em busca objetiva por fatos. Agora, o exame de DNA pode esclarecer se a filha dada como morta em 1970 sobreviveu e construiu outra vida, ou se o mistério continuará sem solução oficial.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

Ver todas as matérias de Ismael Melo