Região Blumenau

“Estavam todos brincando e felizes”, diz professora de creche atacada

Dona da unidade e funcionárias se pronunciaram oficialmente pela primeira vez

“Estavam todos brincando e felizes”, diz professora de creche atacada
Foto: Marcos Fernandes / Especial

Novos detalhes sobre o ataque ao CEI Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, que resultou na morte de quatro crianças de 4 a 7 anos e deixou mais cinco feridas, foram revelados neste sábado (8) em uma coletiva de imprensa convocada pela direção da creche. A dona da unidade e demais funcionárias se pronunciaram oficialmente pela primeira vez após a tragédia.

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A equipe formada por 30 pessoas que trabalham direta e indiretamente no local é liderada pela dona da creche, Alconides, uma professora aposentada da rede pública, que dá aula desde os seus 16 anos. Muito emocionada, foi ela que deu início à conversa, pedindo 1 minuto de silêncio em memória às vítimas. A educadora agradeceu todo o apoio que está recebendo da comunidade.

“Se eu pudesse apagar esse dia da memória, eu apagaria, como uma mensagem escrita num quadro negro de sala de aula (…) mas nós vamos reconstruir esses caquinhos”, disse emocionada Alconides. A creche será reaberta na próxima quarta-feira (12) para atender os pais e mães que precisam voltar ao trabalho e retomar suas rotinas.

Crianças faziam atividades da semana da Páscoa

As professoras contaram qual era a dinâmica que as crianças participavam no momento do ataque. Uma turma de 25 alunos estava no parque, onde acontecia uma roda de conversa. Era uma atividade especial da semana de Páscoa. “Estavam todos brincando e felizes”, disse a professora que estava com a turma. Segundo as testemunhas, a ação foi muita rápida.

Em um primeiro momento, as funcionárias pensaram que o bandido havia assaltado o posto de combustíveis que fica perto da creche e tinha buscado refúgio na unidade. Mas quando viram as crianças feridas, começaram a gritar e o criminoso fugiu pulando o muro novamente. Enquanto isso, as colaboradoras levavam as crianças para locais seguros, como o banheiro e a lavação.

Funcionárias tiraram a própria roupa para tentar estancar o sangue das crianças feridas. Algumas chegaram a fazer massagem cardíaca e respiração boca a boca na tentativa de salvar os alunos. “A gente fez o que a gente pôde”, disse Franciele, que trabalha no setor de limpeza da creche. Ao fim da coletiva, as professoras foram chamadas de heroínas pelos pais dos alunos.

Foto: Governo de SC

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