
Morreu na tarde deste sábado (31) o piloto Milton “Chumbinho’ Becker, de 56 anos, considerado uma lenda do motociclismo brasileiro. Ele foi vítima de um acidente de trânsito na rodovia SC-305, na cabeceira da ponte sobre o rio Três Voltas, na divisa entre Campo Erê e São Lourenço do Oeste, no Oeste catarinense.
De acordo com a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), Chumbinho conduzia sua motocicleta Yamaha MT-09 Tracker, com placas de Iporã do Oeste, quando perdeu o controle da direção, saiu da pista e sofreu uma queda, por volta das 17h. Os socorristas confirmaram que ele não resistiu aos ferimentos e morreu na hora.
O trecho da rodovia onde aconteceu o acidente passa por obras de revitalização. Uma das pistas já teve o processo de concretagem finalizado. No entanto, parte da obra ainda não foi concluída, com buracos e pedras na pista. Além disso, a Polícia Militar Rodoviária apontou que Chumbinho poderia estar em alta velocidade.
Multicampeão Chumbinho
Catarinense de Itapiranga, Chumbinho vivia em Joinville desde 1993. Era considerado um dos maiores nomes da história do motocross brasileiro. Iniciou sua trajetória no esporte ainda jovem, vindo da roça, e construiu uma carreira marcada por expressivas conquistas ao longo de décadas, com mais de 70 títulos, sendo 27 deles de campeão brasileiro de motocross e supercross. Em 2011 foi coordenador técnico da Equipe Brasileira no Motocross das Nações na França.


Mesmo aposentado das pistas desde 2018, Chumbinho disputou em 2025 cinco competições, e se saiu vencedor em quatro delas, ficando em vice na outra. As vitórias ocorreram no Campeonato Brasileiro na categoria MX4, o Catarinense na MX3 e MX4, além do Mundial de Veteranos, disputado em novembro, em San Bernardino, nos Estados Unidos.
Sua importância para o esporte foi eternizada em exposições no Museu Comunitário de Itapiranga, que retratam sua trajetória e legado. Após se aposentar das competições, Chumbinho seguiu atuando na região, trabalhando no setor de transportes, mantendo-se próximo do meio esportivo e preservando o vínculo com o motocross.
Infância e o começo da carreira
No final dos anos 70, a família Becker deixou o interior do município de Itapiranga, na fronteira com a Argentina e Rio Grande do Sul, para se fixar na área central da cidade, em busca de novas oportunidades. Em 1981, o jovem Milton conseguiu seu primeiro emprego como frentista de um posto de gasolina, onde surgiu o apelido que levaria para toda a vida.
Nessa época, um grupo de motociclistas amadores passou a fazer saltos de moto numa rua com barrancos, perto de onde Chumbinho trabalhava. A movimentação atraiu a atenção do garoto, que logo passou a trabalhar em uma oficina de motos, já com a intenção voltada para o Motocross.
Sua primeira corrida foi em Itapiranga mesmo, onde competiu com uma DT 180 e venceu. Seu pai, que o apoiou durante toda sua trajetória, logo se tornou presidebte do Moto Clube da cidade.
Em 2014, Chumbinho Becker garantiu um feito inédito para o Brasil em San Bernardino, na Califórnia, Estados Unidos. Conquistou o título da Categoria 40+ Expert no MTA World Vet Motocross Championship, Mundial de Motocross para Veteranos, além do vice na 45+ Expert.
Outro fato muito importante em sua carreira foi na sua cidade natal, recebeu uma placa homenageando o piloto por sua trajetória no Motocross nacional e internacional sempre levando o nome da cidade de Itapiranga onde quer que fosse correr.

