
Há exatos 10 anos, em dezembro de 2015, um crime chocou toda a comunidade dos amantes do futebol em Santa Catarina. A morte do ex-jogador e então técnico de futebol Josué Henrique Kaercher, de 41 anos, assassinado com um tiro na entrada de um hotel em Caçador, no Meio-Oeste catarinense, ganhou repercussão em todo o Brasil.
O tiro que matou Josué foi disparado de uma arma das mãos de Carlos José Corrêa, de 54 anos, que havia sido demitido por justa causa do comando das categorias de base do Kindermann. Motivado por inveja, raiva e cobiça, Carlos invadiu o hall de entrada do Hotel e se deparou com um grupo de seis pessoas, entre elas Josué e Salézio Kindermann, empresário que fez história ao dirigir o maior clube de futebol feminino da história de Santa Catarina.
Conhecido como Carlinhos da Pantera Negra, Carlos falou que iria matar todos ali, por vingança por ter sido dispensado. Josué tentou acalmar o agressor, mas não teve tempo de argumentar. Carlos fez um só disparo fatal e abreviou a vida do treinador.
Futebol ficou de luto
A trajetória de Josué no futebol começou no início dos anos 2000. Como atleta, iniciou a carreira no Joaçaba, em 2007, passando também por equipes do interior de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, até chegar ao Caçador, em 2010, onde se tornou ídolo da torcida.
Jogador raçudo, símbolo do futebol do interior, Josué foi capitão na conquista da Divisão de Acesso em 2012. Disputou as edições seguintes da Segundona pelo clube e ficou muito perto do acesso à elite estadual. Após deixar o Caçador, encerrou a carreira como jogador no Fluminense de Joinville, na Série C catarinense.


Depois de pendurar as chuteiras, Josué iniciou a carreira como treinador. Seu primeiro trabalho foi no futebol feminino do Kindermann, onde fez história. Em 2015, comandou a equipe na inédita conquista da Copa do Brasil, em meio a estádio lotado e grande festa que marcou a cidade.
A alegria, no entanto, durou pouco. Na manhã de 11 de dezembro de 2015, Josué foi baleado pelo ex-funcionário das categorias de base do clube, que havia sido demitido.
O autor do crime foi preso no mesmo dia, condenado a mais de 61 anos de prisão e morreu em 2020, enquanto cumpria pena. Josué deixou um filho, que era ainda bebê na época. Dez anos depois, o nome de Josué Kaercher segue vivo na memória de Caçador e do futebol catarinense.

