
A Posco Engenharia e Construção do Brasil entrou com pedido de autofalência na Justiça do Ceará em setembro de 2025, em Fortaleza, depois de alegar crise financeira irreversível. A empresa, criada para executar a obra da Companhia Siderúrgica do Pecém, deixou um passivo que pode chegar a cerca de R$ 1 bilhão. Por isso, fornecedores, trabalhadores e órgãos públicos agora disputam na Justiça a recuperação de valores que dificilmente serão pagos com os ativos declarados.
Pedido de falência e justificativas
A empresa protocolou o pedido na 3ª Vara Empresarial de Fortaleza. No processo, afirmou que a combinação entre crise econômica, pandemia de covid-19 e a não execução de uma segunda fase do projeto inviabilizou qualquer continuidade das operações. Assim, segundo a defesa, a falência se tornou a única saída possível diante da ausência de contratos e de recursos financeiros.
Dívidas altas e bens quase inexistentes
Nos autos, a Posco reconheceu um passivo formal de R$ 644,3 milhões. No entanto, credores afirmam que a dívida real é maior e pode se aproximar de R$ 1 bilhão, já que ainda existem créditos em discussão. Ao mesmo tempo, a lista de bens apresentada pela empresa chama atenção pela escassez. A companhia declarou um terreno avaliado em pouco mais de R$ 1 milhão, um veículo sem funcionamento, cerca de R$ 110 em conta-corrente e pouco menos de R$ 5 mil em aplicações financeiras.
Diante desse cenário, cresce a percepção de que os valores disponíveis não cobrem nem uma fração das obrigações pendentes.
Reação dos credores e disputa judicial
Enquanto isso, empresas e trabalhadores que prestaram serviços durante a construção da usina afirmam que a Posco recebeu integralmente os pagamentos do contrato principal, mas não quitou compromissos trabalhistas e comerciais. Como consequência, vários negócios locais fecharam as portas e ações judiciais se multiplicaram.
Por essa razão, advogados dos credores pedem a desconsideração da personalidade jurídica da subsidiária brasileira. A estratégia busca alcançar a matriz estrangeira e outras empresas do grupo, sob o argumento de que a filial foi criada exclusivamente para executar a obra no Ceará e não possui estrutura própria para arcar com as dívidas.
Impacto econômico e próximos passos
O caso reacende o debate sobre grandes projetos tocados por subsidiárias de multinacionais no Brasil. Especialistas apontam que a situação expõe fragilidades em garantias contratuais e aumenta o risco para fornecedores e trabalhadores locais.
Agora, o processo segue para a fase de habilitação de créditos. Ao mesmo tempo, decisões futuras da Justiça devem definir se a cobrança poderá avançar sobre empresas do grupo fora do país. Até lá, credores convivem com a incerteza e com a possibilidade real de não recuperar os valores devidos.

