Região Brasil

Pobreza e extrema pobreza no Brasil apresentam os menores índices desde 2012

IBGE revela que mais de 1,9 milhão de pessoas saíram da extrema pobreza em 2024

Autor
Pobreza e extrema pobreza no Brasil apresentam os menores índices desde 2012
Foto: Ricardo Wolffebüttel / Arquivo / SECOM

Em 2024, o Brasil registrou queda nos dados de extrema pobreza no país. No período de um ano, ou seja, de 2023 para 2024, cerca 1,9 milhão de pessoas deixaram a condição. O contingente passou de 9,3 milhões para 7,4 milhões de pessoas que viviam com renda de até US$ 2,15 por dia, cerca de R$ 218 mensais em valores corrigidos para o ano passado. Assim, essa evolução fez com que a proporção da população na extrema pobreza recuasse de 4,4% para 3,5%, a menor já registrada. Os dados fazem parte do levantamento Síntese de Indicadores Sociais, divulgado nesta quarta-feira (3).

Em 2012, quando começou a série histórica, eram 6,6%. Em 2021, o patamar alcançou 9% (18,9 milhões de pessoas). Portanto, é o menor nível já registrado desde 2012, quando começa a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mesmo vale para a pobreza.

Pobreza

Mais de 8,6 milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza em 2024. Logo, esse desempenho socioeconômico fez a proporção da população na pobreza cair de 27,3% em 2023 para 23,1%.

Em 2024, o Brasil tinha 48,9 milhões de pessoas que viviam com menos de US$ 6,85 por dia, o que equivale a cerca de R$ 694, em valores corrigidos para o ano. Esse é o limite que o Banco Mundial define como linha da pobreza. Em 2023, o contingente na pobreza era de 57,6 milhões de brasileiros.

Confira o comportamento da pobreza no país:

  • 2012: 68,4 milhões
  • 2019: 67,5 milhões (último ano antes da pandemia)
  • 2020: 64,7 milhões
  • 2021: 77 milhões
  • 2022: 66,4 milhões
  • 2023: 57,6 milhões
  • 2024: 48,9 milhões

Em 2012, a proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza era de 34,7%. Em 2019 chegou a 32,6%. Contudo, no primeiro ano da pandemia (2020) foi reduzida a 31,1% e chegou ao ponto mais alto da série em 2021, com 36,8%. Desde então, apresentou anos de queda, indo de 31,6% em 2022, para 23,1% no ano passado.

Trabalho e transferência de renda

Conforme o pesquisador do IBGE André Geraldo de Moraes Simões, responsável pelo estudo, em 2020, ano de eclosão da pandemia, a pobreza chegou a ser reduzida por causa dos programas assistenciais emergenciais, como o Auxílio Emergencial, pago pelo governo federal.

“Esses benefícios voltaram em abril de 2021, mas com valores menores e restrição de acesso pelo público, e o mercado de trabalho ainda estava fragilizado, então a pobreza subiu”, afirma.

Simões acrescenta que, a partir de 2022, o mercado de trabalho voltou a aquecer, acompanhado por programas assistências com valores maiores, fatores que permitiram o avanço socioeconômico. “Tanto o mercado de trabalho aquecido, quanto os benefícios de transferência de renda, principalmente o Bolsa Família e o Auxílio Brasil, que ganharam maiores valores e ampliaram o grupo da população que recebia”, assinala.

Desigualdade regional

A pobreza e a extrema pobreza no Norte e Nordeste superam a taxa nacional. Confira:

Pobreza

  • Nordeste: 39,4%
  • Norte: 35,9%
  • Brasil: 23,1%
  • Sudeste: 15,6%
  • Centro-Oeste: 15,4%
  • Sul: 11,2%

Extrema pobreza

  • Nordeste: 6,5%
  • Norte: 4,6%
  • Brasil: 3,5%
  • Sudeste: 2,3%
  • Centro-Oeste: 1,6%
  • Sul: 1,5%

Desigualdade racial

Na população branca, 15,1% eram pobres, enquanto 2,2% estavam na extrema pobreza. Todavia, entre os pretos, a pobreza chegava a 25,8%, e a extrema pobreza a 3,9%. Enfim, na população parda, as parcelas eram 29,8% e 4,5%, respectivamente.

Com informações da Agência Brasil