
Após a liquidação extrajudicial do Will Bank determinada pelo Banco Central nesta semana, uma pergunta passou a circular com força nas redes sociais e grupos de mensagens: o Nubank pode quebrar?
Como o banco digital roxinho é hoje a instituição financeira mais usada do país, o receio ganhou proporções maiores. Diante do aumento de rumores, o próprio Nubank se manifestou para tranquilizar seus clientes.
Ao mesmo tempo, especialistas explicam que existem formas objetivas de avaliar se um banco realmente corre risco de falência.
O caso do Will Bank ajuda a entender por que o alerta se acendeu. A instituição fazia parte do conglomerado controlado pelo Banco Master, que já havia sido liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
Na tentativa de preservar parte das operações, o regulador colocou algumas empresas do grupo sob Regime Especial de Administração Temporária.
Nubank tem 35 milhões de clientes no Brasil
No entanto, essa solução não se sustentou. O Will Bank passou a enfrentar dificuldades graves de liquidez, deixou de honrar compromissos no sistema de pagamentos e teve sua participação bloqueada em arranjos importantes, como o da Mastercard.
Com a deterioração da situação financeira e a constatação de insolvência, o Banco Central considerou inevitável a liquidação.
As investigações apontaram que o problema não surgiu da noite para o dia. O Banco Master cresceu oferecendo investimentos com rendimentos muito acima da média do mercado, o que exigiu a adoção de estratégias arriscadas.
Segundo apurações, houve uso de estruturas complexas para inflar balanços e mascarar a real capacidade de pagamento, incluindo operações com fundos e ativos de valor duvidoso.
Quando a engrenagem parou de funcionar, a falta de recursos ficou evidente, afetando diretamente instituições ligadas ao grupo, como o Will Bank.
No meio desse cenário, o Nubank, que possui 35 milhões de clientes no Brasil, tratou de se afastar de qualquer associação com o caso. A empresa afirmou que não possui relação com o Banco Master ou com o Will Bank e reforçou que opera com estrutura financeira sólida.
O banco destacou seus resultados recentes, com lucros recorrentes, crescimento consistente de receita e uma base que já ultrapassa 127 milhões de clientes na América Latina.
Além disso, o Nubank ressaltou que cumpre todas as exigências do Banco Central, tem capital robusto e é listado na Bolsa de Nova York, o que implica níveis elevados de transparência e fiscalização.
Nesta semana, a instituição se tornou uma das patrocinadoras de uma equipe da Fórmula 1 e confirmou planos de expansão para os Estados Unidos, sinalizando confiança no próprio modelo de negócios.
Como descobrir se um banco pode falir?
Para além de casos específicos, especialistas afirmam que o investidor pode, e deve, observar alguns sinais antes de confiar seu dinheiro a um banco.
O primeiro é verificar se os produtos oferecidos contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre valores de até R$ 250 mil por CPF e instituição.
Outro ponto importante é analisar a saúde financeira do banco, observando indicadores como o Índice de Basileia, que mostra quanto capital próprio a instituição tem para absorver perdas.
Resultados consistentes ao longo do tempo também indicam sustentabilidade.
Desconfiança é recomendada quando aparecem promessas de retornos muito acima do mercado. Taxas elevadas costumam refletir maior risco.
Avaliações de agências de rating, histórico de atuação e nível de fiscalização regulatória completam o conjunto de informações que ajudam a diferenciar boatos de problemas reais.
Todas essas informações podem ser facilmente encontradas utilizando a internet, nos sites do Banco Central, corretoras e do próprio banco pesquisado.
Em um ambiente marcado por notícias rápidas e alarmistas, informação de qualidade continua sendo a melhor defesa do consumidor.

