
O Governo Federal avalia revogar a chamada “taxa das blusinhas”, aplicada sobre compras internacionais de até US$ 50. A discussão ganhou força após o aumento da rejeição popular à medida e seu impacto no cenário político.
Além disso, o tema passou a influenciar diretamente o ambiente eleitoral. Por isso, integrantes do governo intensificaram as discussões internas sobre possíveis mudanças na cobrança.
Pesquisa mostra rejeição da maioria dos brasileiros
Um levantamento da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg revelou que 62% dos brasileiros consideram a taxa um erro do governo. Por outro lado, apenas 30% avaliam a medida como positiva.
Diante desses números, a cobrança se tornou um dos principais pontos de desgaste político. Além disso, o estudo indica que a percepção negativa se soma a outras preocupações da população, como custo de vida e renda.
Assim, a pressão popular passou a influenciar diretamente o debate dentro do governo.
Como funciona a “taxa das blusinhas”
Atualmente, o governo cobra cerca de 20% de imposto de importação em compras internacionais de até US$ 50. Além disso, os estados aplicam ICMS, o que eleva ainda mais o valor final dos produtos.
Para compras acima desse valor, a alíquota pode chegar a 60%, com desconto fixo. A medida foi criada para equilibrar a concorrência com o varejo nacional e aumentar a arrecadação federal.
No entanto, o impacto no consumidor tem sido significativo, especialmente para compras de menor valor.
Impacto fiscal é considerado limitado
Apesar da arrecadação relevante, o impacto fiscal da possível revogação é visto como administrável. Segundo a ministra do Planejamento, Simone Tebet, a arrecadação anual gira em torno de R$ 2 bilhões.
Por isso, parte do governo avalia que o custo político da medida pode ser maior do que o impacto financeiro. Além disso, o crescimento da arrecadação federal reduz a dependência desse imposto.
Governo enfrenta pressão política e econômica
Internamente, o governo enfrenta divergências. De um lado, a ala política defende o fim da taxa para melhorar a popularidade.
Por outro lado, setores da indústria e do comércio apoiam a manutenção da cobrança. Eles argumentam que o imposto reduz a concorrência com plataformas estrangeiras e protege o mercado interno.
Assim, o governo precisa equilibrar interesses econômicos e pressão popular antes de tomar uma decisão.
Decisão depende do Congresso Nacional
Para revogar a taxa, o governo pode editar uma medida provisória ou enviar um projeto de lei ao Congresso. Enquanto isso, o tema segue em debate entre parlamentares e integrantes do Executivo.
Por fim, a decisão deve considerar não apenas o impacto econômico, mas também os efeitos políticos em um cenário eleitoral sensível.

