
Economistas do mercado financeiro afirmaram nesta quinta-feira (16) que o governo apresentou metas fiscais pouco realistas no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027. O texto, enviado ao Congresso na quarta-feira (15), mantém a meta de superávit primário de 0,5% do PIB, mas especialistas questionam diretamente a viabilidade desse resultado diante do cenário atual.
Meta existe, mas execução não convence
O governo projeta um superávit de cerca de R$ 73 bilhões em 2027 e, além disso, indica crescimento gradual até alcançar 1,5% do PIB nos anos seguintes.
No entanto, economistas reagem com cautela. Eles reconhecem o número no papel, mas contestam o caminho para chegar até ele. Na prática, afirmam que a estratégia ainda carece de base concreta.
Além disso, especialistas reforçam um ponto-chave. Para estabilizar a dívida pública, o país precisaria de um superávit mais robusto, próximo de 2% do PIB. Sem isso, a pressão sobre as contas públicas continua.
Resultado depende de ajustes contábeis
Ao mesmo tempo, analistas identificam outro problema. Parte do resultado projetado depende de exclusões no cálculo, como despesas com precatórios.
Com isso, o cenário muda. O superávit efetivo cairia drasticamente para cerca de 0,05% do PIB. Ou seja, na prática, a margem fiscal praticamente desaparece.
Portanto, o número apresentado ganha força no discurso, mas perde consistência na execução.
Premissas econômicas geram dúvida
Além disso, o governo sustenta suas projeções em um cenário de crescimento econômico de cerca de 2,5% e inflação controlada.
Por outro lado, o mercado adota uma visão mais conservadora. E essa diferença, ainda que pareça pequena, altera completamente o resultado final das contas públicas.
Diante disso, economistas alertam. As projeções partem de premissas otimistas e não refletem, com precisão, as incertezas do cenário global e interno.
Falta de medidas estruturais pesa
Outro ponto entra no radar. Para cumprir as metas, o governo precisa avançar em medidas estruturais, como aumento de arrecadação ou corte de despesas obrigatórias.
No entanto, essas decisões exigem articulação política forte e enfrentam resistência. Por isso, o mercado avalia que o plano ainda não apresenta caminhos claros para se concretizar.
Credibilidade entra em jogo
Além de tudo isso, a confiança do mercado passa a ser afetada. Quando o governo apresenta metas consideradas distantes da realidade, abre espaço para dúvidas sobre sua capacidade de execução.
Com isso, os efeitos aparecem. Juros podem subir, investimentos podem desacelerar e a economia perde previsibilidade.
O cenário escancara um impasse. O governo aposta em crescimento e ajuste gradual. Já os economistas cobram mais realismo e ação concreta. E, enquanto esse equilíbrio não chega, o risco permanece no radar.

