
O consumo das famílias em supermercados brasileiros cresce 1,92% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (23) pela Associação Brasileira de Supermercados, porque mais dinheiro circula na economia e porque março concentra um volume maior de compras com a proximidade da Páscoa.
Março puxa o crescimento
O ritmo acelera no fim do trimestre e muda o cenário. Em março, o consumo sobe 6,21% na comparação com fevereiro e também avança 3,20% frente ao mesmo mês de 2025.
Esse salto acontece por dois fatores claros. Primeiro, fevereiro tem menos dias e naturalmente reduz o fluxo de compras. Depois, março absorve essa demanda reprimida e ainda ganha impulso com a preparação para a Páscoa, o que aumenta o movimento nos supermercados.
Mais renda, mais consumo
Ao mesmo tempo, a renda disponível cresce e, com isso, o consumidor volta ao mercado com mais frequência. Pagamentos de benefícios sociais e trabalhistas injetam recursos na economia e, na sequência, estimulam o consumo imediato.
Na prática, o brasileiro compra mais, gira mais o carrinho e mantém o setor aquecido. Esse movimento mostra como o consumo reage rápido quando o dinheiro aparece na conta.
Preços sobem e pressionam
Por outro lado, o alívio não é completo. Enquanto o consumo avança, os preços também sobem e exigem atenção. Em março, a cesta básica registra alta de 2,20% e passa a custar, em média, R$ 820,54.
Além disso, alguns itens pesam mais no bolso. O feijão dispara com forte aumento no mês e o leite longa vida também encarece. Ou seja, o consumidor compra mais, mas sente o impacto no orçamento.
Cenário aponta cautela
O resultado do trimestre mostra um consumidor mais ativo, porém ainda sensível. Se a renda continuar crescendo, o consumo tende a manter o ritmo. Por outro lado, se os preços seguirem pressionados, o avanço pode perder força.
No fim das contas, o setor supermercadista segue como termômetro da economia, reage rápido aos estímulos e revela, na prática, como anda o bolso do brasileiro.

