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Alimentos freiam, mas mercado ainda pesa

Mesmo com desaceleração da inflação em junho, batata, tomate, feijão e cebola continuam apertando o orçamento das famílias

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Alimentos freiam, mas mercado ainda pesa

A inflação dos alimentos perdeu força em junho, mas o brasileiro ainda sente o peso da comida no bolso. Segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (26), o grupo Alimentação e Bebidas reduziu o ritmo de alta, ao passar de 1,38% em maio para 0,74% neste mês. Apesar disso, produtos básicos, como batata-inglesa, tomate, feijão-carioca e cebola, continuaram subindo com força. A menor oferta, os problemas climáticos e os impactos na produção explicam boa parte dessa pressão.

Alimentos desaceleram, mas seguem caros

A inflação geral avançou 0,41% em junho. Nesse cenário, os alimentos perderam velocidade, mas ainda puxaram o custo de vida para cima. Ou seja, o índice desacelerou, porém a conta do supermercado continuou salgada.

Além disso, a alimentação dentro de casa também mostrou alívio parcial. A variação caiu de 1,73% em maio para 0,87% em junho. Ainda assim, o consumidor não encontrou uma folga real na feira, no mercado e na cozinha.

Na prática, os preços subiram menos do que no mês anterior. No entanto, vários produtos essenciais continuaram caros. Por isso, muitas famílias precisaram ajustar a lista de compras, trocar marcas e cortar itens do carrinho.

Batata lidera alta entre produtos básicos

Entre os alimentos que mais pressionaram o orçamento, a batata-inglesa liderou a alta. O produto subiu 29,42% em junho. Em seguida, o tomate avançou 17,27%, o feijão-carioca subiu 14,29% e a cebola aumentou 9,54%.

Além disso, o acumulado do primeiro semestre mostra uma pressão ainda mais forte. O tomate acumula alta de 103,84%. A cenoura subiu 103,10%. Já a batata-inglesa avançou 100,20%.

Portanto, mesmo com a desaceleração do grupo Alimentação e Bebidas, alguns produtos dobraram de preço em poucos meses. E, quando alimentos básicos sobem tanto, o impacto aparece rápido. A família sente no almoço, no jantar e no fechamento da conta no caixa.

Clima reduz oferta e empurra preços para cima

O clima teve papel direto nessa escalada. Chuvas fortes, geadas, calor intenso e perdas nas lavouras reduziram a oferta de produtos importantes. Com menos alimento disponível, o mercado reagiu rapidamente e elevou os preços.

A batata-inglesa sentiu esse efeito com força. Como o produto depende de boas condições de plantio e colheita, qualquer quebra na produção afeta o abastecimento. Além disso, por ser um alimento perecível, a perda no campo chega depressa ao consumidor.

O tomate e o feijão-carioca seguiram caminho parecido. As condições desfavoráveis atingiram regiões produtoras, reduziram a colheita e pressionaram os valores. Dessa forma, o problema começa na lavoura, passa pelo transporte, chega ao mercado e termina no bolso do consumidor.

Café e frutas ajudam a aliviar parte da conta

Por outro lado, alguns itens ajudaram a segurar a inflação dos alimentos. O café moído caiu 3,69% em junho. As frutas também recuaram, com queda de 0,96%.

No caso do café, as expectativas melhores para a próxima safra ajudaram a reduzir os preços internacionais. Como esse mercado influencia os valores no Brasil, o consumidor começou a perceber algum alívio nas prateleiras.

Enquanto isso, a alimentação fora de casa também perdeu ritmo. A variação passou de 0,51% em maio para 0,40% em junho. As refeições em restaurantes subiram 0,39%, abaixo dos 0,57% registrados no mês anterior. Já os lanches seguiram na direção contrária e aceleraram de 0,37% para 0,45%.

Orçamento familiar continua apertado

Apesar da desaceleração, a inflação dos alimentos ainda preocupa. Isso acontece porque os produtos que mais subiram fazem parte da rotina alimentar dos brasileiros. Batata, tomate, feijão e cebola entram em refeições simples, diárias e essenciais.

Por isso, a alta desses itens pesa mais do que parece. O consumidor até vê uma inflação menor no índice, mas ainda encontra preços altos no carrinho. Assim, a desaceleração chega à estatística, mas demora a aliviar a mesa.

No fim, junho trouxe um sinal de melhora, mas não resolveu o problema. A comida subiu menos, porém continuou cara. E, enquanto os alimentos básicos seguirem pressionados, o orçamento das famílias vai continuar no limite.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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