
A adoção da escala 5×2 em Santa Catarina intensificou o debate sobre o possível fim da jornada 6×1 no Brasil. Nesse contexto, o Grupo Koch anunciou a abertura de 140 vagas para uma nova unidade do Komprão, em São Bento do Sul, no Norte do Estado, já com o novo modelo de trabalho.
Além disso, a empresa implementou a jornada com dois dias de folga por semana como projeto piloto. Com essa iniciativa, o grupo pretende avaliar, na prática, os impactos da mudança na rotina, na produtividade e na qualidade de vida dos colaboradores.
Segundo o gerente de RH do Grupo Koch, Alisson Santos, a empresa acompanha de perto os resultados. Ele afirma que a iniciativa busca entender como o novo formato pode influenciar tanto os funcionários quanto a operação do negócio.
Setor acompanha mudanças com cautela
Enquanto isso, no cenário nacional, outras redes supermercadistas também começam a adotar o modelo 5×2. Um exemplo é o Grupo Supernosso, de Minas Gerais, que anunciou a mesma mudança para equipes operacionais.
Por outro lado, a Associação Catarinense de Supermercados (Acats) informou que acompanha o tema com atenção. A entidade destacou que supermercados funcionam diariamente, inclusive aos fins de semana e feriados, o que exige adaptação na organização das equipes.
Além disso, a Acats ressaltou preocupações com a contratação e retenção de mão de obra. Por isso, defende que qualquer mudança considere a realidade operacional das empresas e garanta condições viáveis de implementação.
Entidades empresariais demonstram preocupação
Em Joinville, entidades empresariais se posicionaram contra a mudança. A Associação Empresarial de Joinville (Acij), por exemplo, enviou um documento ao senador Esperidião Amin alertando para possíveis impactos econômicos.
De acordo com a entidade, a alteração pode aumentar os custos de mão de obra em até 22%. Consequentemente, esse cenário pode reduzir investimentos industriais e afetar a competitividade frente ao mercado internacional.
Da mesma forma, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) avaliou que o novo modelo pode trazer desafios ao comércio. Já a Ajorpeme defendeu um debate equilibrado, com análise técnica e consideração das particularidades de cada setor.
Governo propõe fim da escala 6×1
Paralelamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1. A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e garante dois dias de descanso remunerado.
Além disso, o texto foi encaminhado em regime de urgência e prevê aplicação ampla, incluindo diversas categorias profissionais. O projeto também mantém modelos flexíveis, como a escala 12×36, desde que haja acordo coletivo.
Por fim, o governo afirma que a medida busca melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ao ampliar o tempo disponível para descanso, lazer e convívio familiar.

