
O Nubank anunciou a compra do Banco Porto Real de Investimentos S.A. para obter uma licença bancária e atender às novas exigências do Banco Central (BC) e do Conselho Monetário Nacional (CMN). Com a operação, a instituição poderá continuar utilizando o termo “bank” em sua marca sem infringir a regulamentação. Apesar da mudança, a empresa afirma que nada muda para os mais de 115 milhões de clientes no Brasil.
A companhia não revelou o valor da negociação. Fundado em 1992, em Porto Real, no Rio de Janeiro, o Banco Porto Real atua principalmente na concessão de crédito para clientes do segmento de atacado.
A aquisição ocorre após a publicação da Resolução Conjunta nº 17, editada pelo BC e pelo CMN em novembro de 2025. A norma proibiu empresas sem licença bancária de utilizar termos como “banco” ou “bank” em seus nomes empresariais e marcas.
Mudança atende exigência regulatória
Até agora, o Nubank operava com autorizações para atuar como Instituição de Pagamento (IP), Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) e Corretora de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM). No entanto, a empresa ainda não possuía uma licença bancária.
Com a compra, a licença do Banco Porto Real passará a integrar o conglomerado regulatório do Nubank. Dessa forma, a instituição cumprirá integralmente as regras estabelecidas pelo Banco Central antes do prazo final de adequação, previsto para novembro deste ano.
Além disso, o Nubank informou que a nova estrutura não exigirá aumento de capital nem mudanças em sua capacidade operacional.
Clientes não terão qualquer alteração
Segundo a empresa, a aquisição terá apenas efeito regulatório. Portanto, os usuários continuarão utilizando o mesmo aplicativo, os mesmos produtos financeiros e os mesmos serviços oferecidos atualmente.
A instituição também explicou que a diferença entre uma instituição de pagamento e um banco está no tipo de autorização concedida pelo Banco Central. Enquanto os bancos podem captar recursos do público para conceder empréstimos, as instituições de pagamento concentram suas atividades na realização de transações financeiras e na movimentação de recursos dentro do sistema de pagamentos.
Assim, o Nubank reforça que a experiência dos clientes permanecerá exatamente a mesma após a conclusão da operação.
Brasil segue como prioridade de expansão
O fundador e CEO global do Nubank, David Vélez, afirmou que o Brasil continuará sendo o principal mercado da empresa. Segundo ele, o país ainda oferece grande potencial de crescimento e espaço para ampliar o acesso a serviços financeiros simples e acessíveis.
Da mesma forma, a CEO do Nubank para Brasil e América Latina, Livia Chanes, destacou que a companhia seguirá investindo em inovação e simplicidade, mantendo o compromisso de expandir seu portfólio de soluções financeiras.
O anúncio acontece poucos meses após o Nubank ingressar na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em março deste ano. Atualmente, a instituição reúne mais de 115 milhões de clientes e se consolidou como a maior instituição financeira privada do país em número de usuários.
Além disso, dados divulgados pela empresa apontam que cerca de 31,5 milhões de brasileiros passaram a utilizar conta digital, crédito e investimentos por meio da plataforma. Já uma pesquisa da consultoria Bain & Company, realizada no fim de 2025, indicou o Nubank como a instituição financeira preferida dos brasileiros para concentrar salários e pagamentos.

