
A história de Pompeia costuma se concentrar nas milhares de pessoas que morreram durante a erupção do Monte Vesúvio, no ano 79 d.C. No entanto, novas pesquisas mostram outro lado da tragédia: muitos moradores conseguiram escapar e reconstruíram suas vidas em diferentes regiões do Império Romano.
O pesquisador Steven Tuck, professor de Estudos Clássicos da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, dedicou cerca de dez anos a rastrear os sobreviventes de Pompeia e da vizinha Herculano. Para isso, analisou milhares de inscrições antigas e procurou registros dos mesmos nomes em outras cidades.
Como os pesquisadores descobriram que moradores conseguiram fugir?
Tuck partiu do que chama de “evidência pela ausência”. Durante suas visitas às ruínas, ele percebeu que objetos importantes haviam desaparecido antes da destruição. Não havia barcos no porto, os cofres estavam vazios e animais também não estavam nos estábulos. Assim, esses sinais indicavam que parte da população conseguiu deixar a região antes das fases mais violentas da erupção.
Além disso, ao analisar aproximadamente 20 mil inscrições, o pesquisador encontrou vestígios de sobreviventes espalhados por 48 cidades do Império Romano. Muitos permaneceram a menos de 32 quilômetros da área atingida, enquanto outros seguiram para regiões mais distantes.
Para onde foram os sobreviventes de Pompeia?
Os moradores de Pompeia se espalharam mais pelo território romano e, segundo a pesquisa, aparentemente contavam com mais recursos e contatos. Alguns reconstruíram negócios, enquanto seus descendentes chegaram a ocupar cargos públicos nas novas comunidades.
Já os sobreviventes de Herculano permaneceram, em geral, mais próximos da região devastada. O estudo aponta que muitos tinham menos recursos e mantiveram vínculos fortes dentro das próprias comunidades de refugiados.
Entre as histórias reconstruídas está a de uma mulher que perdeu o marido, mas escapou de Pompeia com a filha ainda bebê. Posteriormente, ela chegou a Óstia, importante porto de Roma, onde se casou novamente e deu continuidade à família.
O que as novas pesquisas revelam sobre Pompeia?
Além de investigar os sobreviventes, arqueólogos também ampliam os estudos sobre as classes média e baixa da antiga cidade romana. Escavações em residências e até em antigas latrinas procuram revelar detalhes sobre alimentação, higiene, saúde e trabalho doméstico.
Assim, Pompeia deixa de ser apenas o símbolo de uma cidade destruída em poucas horas. As novas descobertas também revelam histórias de fuga, adaptação e continuidade, dando uma dimensão mais humana a uma das maiores tragédias da Antiguidade.

