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Renato Russo queria Fernanda Torres como protagonista de Faroeste Caboclo

Líder da Legião Urbana, que morreu em 1996, planejou fazer um filme a partir da musica gravada em 1987

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Renato Russo queria Fernanda Torres como protagonista de Faroeste Caboclo
Renato e fernanda, com o cartaz do filme lamnado em 2013. fotos: divulgação

Com seus quase 10 minutos de duração, a música Faroeste Caboclo se transformou num hino da era de ouro do rock nacional no Brasil, no final dos anos 1980. Composta pelo líder da banda Legião Urbana, Renato Russo, que morreu há 29 anos, a canção com letra ao estilo cordel narra a saga de João de Santo Cristo. Um personagem que caiu nas graças dos brasileiros com sua jornada de herói do cerrado. Desde que foi eleita a música do ano em 1988, Faroeste Caboclo inspirou a ideia de virar filme nacional. Mas isso só viria a acontecer em 2013, 17 anos após a morte do autor.

O filme, dirigido pelo também brasiliense René Sampaio, teve como protagonistas o casal global Fabrício Boliveira e Ísis Valverde. E uma bilheteria de quase 1,5 milhão de expectadores nos cinemas. O que pouca gente soube, é que Renato Russo, enquanto planejava transformar Faroeste Caboclo em longametragem, chegou até mesmo a escolher quem seriam os protagonistas. O segredo foi revelado pelo seu parceiro na Legião Urbana, o guitarrista Dado Villa Lobos, na sua autobiografia “Memórias de Um Legionário”, escrito em 2015 e publicado pela Editora Mauad.

Na página 135, Villa Lobos escreve: “O nosso vocalista queria até mesmo que um galã de televisão protagonizasse a versão cinematográfica de ‘Faroeste Caboclo”, e o seu nome preferido era o do Marcos Palmeira. Já o papel de Maria Lúcia ficaria com Fernanda Torres”.

Livro do guitarrista

Renato morreu sem saber que Fernanda Torres se tornaria celebridade mundial por seu trabalho em “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Filme Internacional em 2025.

Diretor René Sampaio, dirigindo en cena Boliveira e Valverde. foto: divulgação

Numa entrevista ao Portal Papo de Cinema, publicada em 2013, o diretor René Sampaio explicou o motivo de Fernanda e Palmeira terem ficado de fora do filme. “Eu, desde o princípio, não buscava atores muito conhecidos para interpretar estes personagens. Eles são muito fortes, todo mundo já tinha uma imagem deles por causa da música. Então não queria que houvesse essa coisa de celebridades envolvidas, pois não era esse o filme que queria fazer. Então abrimos testes para todos os papéis, buscando justamente nomes novos, que o grande público não tivesse referência”, disse ele.

No entanto, René se surpreendeu ao saber pelo jornalista Robledo Milani das intenções de Renato em contar com Fernanda Torres no projeto. Segundo Milani, o ator gaúcho Marcos Breda – que interpretou o pai de Renato Russo em outro longa “Somos Tão Jovens”, uma biografia do líder da Legião, teria lhe revelado poucos dias antes que fora convidado, no final dos anos 1980, pelo próprio Renato, para estrelar, ao lado da Fernanda Torres e de Chico Diaz, uma adaptação do Faroeste Caboclo em curta-metragem.

Fabrício Boliveira e Isis Valverde, o João de Santo Cristo e Maria Lúcia do longa de 2013. Foto: divulgação

Trovador Solitário

Mesmo sem Fernanda e Palmeira, o filme de René Sampaio foi o maior vencedor da edição de 2014 do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Além disso, recebeu 13 indicações e venceu em sete delas, entre as quais a de Melhor Longa-metragem de ficção e a de Melhor Ator para Fabrício Boliveira.

Outro prêmio no mesmo festival foi o de melhor trilha sonora original, assinada por Philippe Seabra, vocalista e líder da Plebe Rude, outra banda de Brasília surgida do mesmo núcleo onde nasceu a Legião Urbana.

Gravada em 1987, a música Faroeste Caboclo que inspirou o filme foi lançada no terceiro álbum da Legião Urbana, intitulado “Que País é Esse”. No entanto, a canção foi composta por Renato quase uma década antes disso, em 1978, num período em que Renato se apresentava sozinho ao violão nos pequenos festivais de Brasília.

Na mesma página 135, Villa Lobos ainda contextualiza: “’Faroeste Caboclo’ seria uma história musicada, que o Renato gostava de comparar a Hurricane, de Bob Dylan, canção americana que retrata Rubin Carter, boxeador negro que, no auge da luta contra a segregação racial nos EUA, década de 1960, foi julgado por um júri composto só por brancos e condenado a 19 anos de prisão, injustamente. João de Santo Cristo, como se sabe, não teve um final feliz. Mas o Renato também chegou a falar que escreveu a letra pensando em ‘Domingo no Parque’, de Gilberto Gil, e em algumas composições de Raul Seixas”.

Róbinson Gambôa

Sobre o autor

Róbinson Gambôa

Experiênte jornalista, atua na região da Grande Florianópolis, se dedicando aos factuais do dia a dia e também a matérias mais autorais com foco em temas diversos. Entre suas especialisdades está a editoria de política e segurança publica. Gambôa também contribui com conteúdo esportivo.

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