
A artista visual de Itajaí Beatriz Ramalho Rodrigues, está entre os três finalistas do Prêmio AF de Arte Contemporânea, promovido pela Aliança Francesa em Santa Catarina. Ela agora irá mostrar seus trabalhos numa exposição coletiva no Espaço Lindolf Bell, no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis, a partir do final de novembro. O grande vencedor será anunciado na abertura da mostra, no dia 30, e como prêmio fará uma residência artística de três meses na Cité Internationale des Arts, em Paris. Bill Or disputa o primeiro lugar com outros dois artistas: Mauricio Igor, de Florianópolis, e Lucas Pereira Elias, de Sombrio.
Este ano, o júri exaltou a qualidade histórica dos participantes e a relevância que a premiação, já consolidada como a mais importante do circuito de artes visuais, tem para a produção artística de Santa Catarina e do Sul do Brasil.
Bill Or é artista visual à frente de várias iniciativas voltadas para projetos editoriais. Nos últimos anos, seu interesse tem se voltado para as relações entre literatura e artes visuais, ficção e realidade, hardware e software. Seu trabalho se dá a partir de procedimentos de apropriação, coleção e edição com desdobramentos em performances, textos, áudios, vídeos, fotografias, desenhos e publicações. O processo da artista passa ainda pela edição como linguagem e tecnologia no campo editorial, com a presença marcante da repetição.
Beatriz Já participou de diversas exposições e projetos individuais, como “Começa Com o Toque do Dedo no Dorso da Máquina”, na sala Edi Balod, em Criciúma; “Nomeáveis ou Como Chamar Coisas sem Nome”, na Casa da Cultura Dide Brandão de itajaí; e “sonho.software”, executado com recursos do Lei Aldir Blanc, entre outras.

A seleção dos trabalhos para esta edição do prêmio foi feita por um corpo de jurados formado por Niura Borges, pesquisadora, mestre em artes visuais (UFRGS) e galerista; Daniele Zacarão, artista e curadora, doutoranda em Artes Visuais (Udesc) e coordenadora do Curso de Artes Visuais da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc); e ainda por Henrique Menezes, curador independente, membro do Comitê de Curadoria e Acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul ( MACRS).
Além do nível considerado muito alto das obras selecionadas, vale pontuar que, em 2022, a premiação recebeu um número expressivo de artistas de diferentes regiões e os três finalistas representam essa diversidade regional.
“A cada edição, o Prêmio está atraindo artistas com trabalhos mais interessantes. E temos uma representatividade que nos permite ter uma cartografia da produção de artes do Estado. Vale destacar, ainda, que além da qualidade excelente das obras propostas, tivemos diversidade também etária, com inscritos de todas as idades”, afirma Marilyn Pelicant, diretora da Aliança Francesa de Florianópolis.
Promovido pela Aliança Francesa Florianópolis, o Prêmio AF de Arte Contemporânea chega à nona edição valorizando a trajetória de artistas de Santa Catarina, e não apenas um recorte ou uma obra. Por isso a avaliação se deu a partir do portfólio, sempre com o cuidado de apresentar à cena artistas novos e que podem ainda ocupar seus espaços.
Para Niura Borges, uma das juradas, o que chamou muito atenção este ano foi, além da beleza dos trabalhos, a coerência de pesquisa, tanto prática quanto teórica.
“Vimos o engajamento e a seriedade dos artistas no desenvolvimento de seus próprios trabalhos. Além disso, um ponto de convergência entre os três finalistas foi a originalidade, a audácia e a potência de criação. São obras que trazem provocação e têm elementos de questionamento, tão importantes hoje em dia”, avalia a galerista.
Daniele Zacarão, também jurada desta edição, destaca o fato de que o trio selecionado apresenta um interessante panorama da produção contemporânea catarinense.
“A tarefa de avaliar e selecionar apenas três finalistas não é simples. Acredito que o critério mais significativo para seleção tenha sido pensar trabalhos que pudessem ser potencializados pela residência artística na Cité Internationale des Arts, em Paris”, afirma Zacarão.
O Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea 2022 tem patrocínio da ENGIE. Apoio do Consulado da França em São Paulo, do Institut Français e da Fundação Catarinense de Cultura. A produção é Marte Cultural. Realização da Aliança Francesa de Florianópolis.

