Região Santa Catarina

Vice-presidente da Fiesc avalia missão aos EUA

Musk x juiz catarinense e outros destaques

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Vice-presidente da Fiesc avalia missão aos EUA

O empresário catarinense André Odebrecht, primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), retornou no sábado de Washington após integrar a missão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aos Estados Unidos. A comitiva manteve encontros com congressistas, entidades de comércio, associações setoriais e empresários americanos, em meio à crise provocada pela taxação de 50% sobre produtos brasileiros.

Odebrecht alertou que os reflexos já começam a ser sentidos na indústria catarinense, com relatos de férias coletivas e cortes em linhas de produção. Ele destacou que o problema não se resume à perda de mercado, mas à possibilidade de substituição das exportações brasileiras por fornecedores asiáticos, muitos deles sob controle de capital chinês. “Isso pode concentrar a oferta e deixar os distribuidores americanos dependentes de uma única fonte, o que não é saudável para a competitividade”, afirmou.

Segundo ele, o impacto econômico é expressivo: a cada R$ 1 bilhão exportado pelo Brasil para os Estados Unidos, são gerados em torno de 24,3 mil empregos diretos e mais de R$ 500 milhões em salários, movimentando cerca de R$ 3,2 bilhões em produção. “Estamos falando de uma cadeia muito maior, que envolve portos, caminhões, máquinas florestais, combustíveis e serviços que sustentam comunidades inteiras em Santa Catarina”, reforçou.

Percepção em Washington

Nas reuniões, a delegação buscou mostrar que a indústria brasileira é sólida, com décadas de fornecimento de produtos de alta qualidade ao mercado americano. Odebrecht contou que, no Congresso, a recepção foi majoritariamente de parlamentares republicanos. “Eles entendem o problema, mas lembram que a solução é política. Do ponto de vista comercial, ficou claro que os consumidores americanos vão pagar mais caro e terão menos opções se o Brasil for excluído”, disse. O empresário ressaltou ainda que o risco para os EUA é de inflação em itens do dia a dia, como café, suco de laranja, carne e móveis.

Medidas de socorro

Odebrecht avaliou como corretas e rápidas as medidas emergenciais anunciadas pelos governos estadual e federal, como créditos de ICMS, linhas de financiamento e postergação de impostos. Mas fez um alerta: “Essas ações dão fôlego, mas não resolvem o problema. Se uma empresa não gera impostos porque não está exportando, daqui a pouco o governo não terá imposto a postergar”, afirmou.

Para ele, as medidas cumprem o papel de atenuar os efeitos imediatos da crise, mas não são sustentáveis sem uma solução negociada com os Estados Unidos. “A saída definitiva precisa ser política, porque estamos falando de uma tarifa que foi criada em razão de tensões diplomáticas. Não cabe à indústria resolver isso, mas aos governos”, pontuou.

Próximos passos

Além do tarifaço, o empresário chamou a atenção para as investigações em andamento no comércio exterior americano, como as seções 232 e 301, que podem abrir novas frentes de restrições caso haja interpretações equivocadas sobre práticas ambientais ou trabalhistas. Segundo ele, é fundamental que entidades como a CNI, a Fiesc e a Fiesp acompanhem permanentemente esses processos para evitar riscos e garantir segurança jurídica às exportações.

Odebrecht concluiu que a missão cumpriu o papel de dar visibilidade à relevância da indústria brasileira e preparar o terreno para futuras negociações. “A situação como está não interessa a ninguém. O consumidor americano perde, o Brasil perde e os empregos em Santa Catarina estão ameaçados. Agora é preciso equilíbrio político para que os governos encontrem uma solução”, finalizou.

Botelho

A presidente estadual do Podemos, a deputada Ana Paula da Silva, a Paulinha, não conseguiu apresentar todas as filiações que havia prometido à presidente nacional, a deputada federal por São Paulo, Renata Abreu. Houve a filiação do chefe de gabinete da Prefeitura de Florianópolis, Fábio Botelho, e da ex-presidente da OAB, Cláudia Prudêncio. O que ficou claro é que o evento foi direcionado para Botelho. Com um grande número de servidores da capital presentes, um grande destaque foi dado ao pré-candidato a deputado estadual apoiado pelo prefeito Topázio Neto (PSD). O prefeito de Biguaçu, Salmir da Silva (MDB), chegou a ser chamado ao palco, mas não subiu. Deve avaliar mais um pouco se assinará a ficha no Podemos.

Constrangimento

Durante o evento do Podemos, um constrangimento não passou despercebido. O deputado estadual Lucas Neves, que é o vice-presidente estadual do partido, não foi chamado para discursar e, tampouco, o anunciaram. Passou pelo evento como se não fosse uma liderança do partido com mandato na Assembleia Legislativa. O parlamentar não quis se manifestar, mas fontes próximas não esconderam que há uma grande insatisfação com os rumos do partido. “Direcionamento da estrutura partidária para atender poucas pessoas, interesses individuais e não coletivos”, relatou a fonte, apontando para Fábio Botelho como um dos beneficiados.

Zé Trovão

A assessoria do deputado federal Zé Trovão (PL) enviou um vídeo para a coluna. Segundo uma nota enviada, na gravação fica claro que o pedido de saída do PL partiu da própria Jéssica da Costa Veiga, conforme relatado pelas lideranças presentes na reunião, e não por interferência do parlamentar. O vídeo deve ser usado no recurso ao pagamento de R$ 50 mil de indenização por danos morais a Jéssica. A decisão reconheceu que o parlamentar praticou violência física, psicológica, moral e política contra a vítima. A fala no vídeo roda a partir dos 19 segundos.

Contraponto

Procurada, a ex-esposa do deputado federal Zé Trovão (PL), Jéssica da Costa Veiga, manteve a afirmação de que foi expulsa do Partido Liberal a pedido do parlamentar. Disse que, após a repercussão, a presidente nacional do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, pediu sua volta. “Eu voltei, mas não era ouvida. Não consegui marcar nem uma reunião. Aí me colocaram como vogal para dar mais visibilidade para a Fabi Venera, que foi candidata a vice do Lima (Sargento) e precisava aparecer”, relatou. Segundo Jéssica, com o passar dos dias resolveu sair do partido por entender que não era mais bem-vinda. “Esse vídeo é de quando pedi para sair”, explicou.

Musk X juiz catarinense

A decisão de um juiz catarinense reacendeu o debate sobre os limites da jurisdição nacional na internet. O magistrado de Blumenau determinou que a exclusão de conteúdos considerados ilegais pela legislação brasileira deve ter alcance global e não se restringir apenas ao território nacional. A determinação está em linha com precedentes recentes do Supremo Tribunal Federal e prevê aplicação de multas pesadas em caso de descumprimento. Críticos apontam que a medida amplia excessivamente o poder do Judiciário brasileiro, enquanto apoiadores defendem a eficácia contra conteúdos ilícitos. O X, de Elon Musk, contestou a decisão, alegando que a ordem fere princípios básicos do direito internacional e ameaça a liberdade de expressão global.

Abertura de empresas

Entre janeiro e agosto deste ano, foram abertas 98.892 novas empresas em Santa Catarina, um aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 84.424 CNPJs, segundo dados da Jucesc. O saldo positivo de 14.468 empresas reforça a força do empreendedorismo no estado, sobretudo entre micro e pequenos negócios. Do total, 109,9 mil empresas tiveram participação feminina e 82,2 mil foram criadas por jovens de 21 a 30 anos. Com o avanço, Santa Catarina alcançou a marca de 1,57 milhão de empresas ativas.

Marcelo Lula é jornalista e radialista. Atuou em emissoras de rádio e jornais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Atualmente, faz comentários na Condá FM de Chapecó e na Rede Guararema de Rádios.

O jornalista tem se destacado por furos de fatos de grande repercussão em Santa Catarina, além de matérias investigativas e revelações dos bastidores de importantes investigações e da política.