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Urna eletrônica passa por 40 etapas de fiscalização antes do voto

Sistema funciona sem internet, tem código aberto para entidades fiscalizadoras e permite auditorias antes, durante e depois das eleições

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Urna eletrônica passa por 40 etapas de fiscalização antes do voto
Foto: Divulgação

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A pouco mais de dois meses das Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensificou a divulgação dos mecanismos que protegem o voto dos brasileiros. Segundo a Corte, partidos políticos, órgãos públicos, universidades e representantes da sociedade civil podem acompanhar cerca de 40 etapas de fiscalização e auditoria.

O Brasil começou a usar a urna eletrônica em 1996. Portanto, o equipamento completa 30 anos em 2026. Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, ninguém comprovou qualquer fraude no sistema eletrônico de votação desde a implantação da tecnologia.

Além disso, a urna não acessa internet, Wi-Fi ou Bluetooth em nenhuma etapa da votação. Dessa forma, o equipamento funciona de maneira isolada e impede invasões remotas pela rede.

Como as instituições fiscalizam a urna eletrônica?

A fiscalização começa antes do dia da eleição. Em seguida, acompanha a votação, a apuração e a totalização dos resultados.

Entre os principais mecanismos de segurança estão:

  • abertura do código-fonte;
  • Teste Público de Segurança;
  • assinatura digital e lacração dos sistemas;
  • verificação dos programas instalados;
  • Teste de Integridade no dia da votação;
  • emissão do Boletim de Urna;
  • comparação dos resultados com os arquivos oficiais;
  • auditorias solicitadas pelas entidades autorizadas.

A legislação autoriza a participação de partidos, federações, coligações, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Defensoria Pública, Polícia Federal, Congresso Nacional, universidades e outras instituições credenciadas.

Portanto, diferentes entidades podem verificar o funcionamento do sistema eleitoral antes, durante e depois da votação.

Quem pode inspecionar o código da urna?

O TSE abre o código-fonte dos sistemas eleitorais um ano antes do primeiro turno. Esse conjunto de instruções determina como os programas usados na votação e na apuração devem funcionar.

Durante esse período, as entidades autorizadas podem analisar as linhas de programação e confirmar se o sistema cumpre as regras da legislação eleitoral. O TSE abriu os códigos das Eleições 2026 em outubro de 2025 e manterá o acesso até a cerimônia de assinatura digital e lacração.

Em junho, técnicos da Sociedade Brasileira de Computação inspecionaram o código-fonte, acompanharam a abertura de uma urna e examinaram os componentes internos do equipamento. Além deles, Senado, partidos políticos e outras instituições participaram do ciclo de fiscalização.

Qualquer cidadão pode tentar encontrar falhas?

Sim. Por meio do Teste Público de Segurança, brasileiros com mais de 18 anos podem apresentar planos para tentar identificar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais.

A maioria dos participantes atua nas áreas de pesquisa e tecnologia. No entanto, o TSE não exige formação específica. Antes dos testes, uma comissão analisa todas as propostas apresentadas.

Caso os investigadores encontrem alguma fragilidade, o Tribunal corrige o problema. Depois, os mesmos participantes retornam para o Teste de Confirmação e verificam se a equipe técnica solucionou a falha.

O TSE já realizou o processo oito vezes. Na etapa de confirmação concluída em maio de 2026, o Tribunal informou que nenhum dos achados comprometeu o sigilo ou a integridade dos votos.

Por que a urna funciona sem internet?

A Justiça Eleitoral desenvolveu a urna eletrônica exclusivamente para registrar e contabilizar votos. Por isso, o equipamento não se conecta a redes externas durante a preparação, a votação ou o período posterior ao pleito.

Na prática, ninguém consegue acessar remotamente a máquina pela internet enquanto o eleitor registra o voto. Além disso, a urna não precisa de conexão para armazenar ou contar os votos.

Após o encerramento da votação, o equipamento gera os arquivos com o resultado da seção eleitoral. Somente depois começa a etapa de transmissão desses documentos, que utiliza criptografia e assinatura digital.

O que é o Boletim de Urna?

O Boletim de Urna, conhecido como BU, mostra quantos votos cada candidato recebeu naquela seção eleitoral.

Assim que a votação termina, a urna imprime o documento e também gera uma versão digital. Em seguida, a equipe entrega cópias aos fiscais presentes e afixa uma via no local de votação.

Dessa maneira, partidos e cidadãos podem comparar os números impressos com os resultados que a Justiça Eleitoral divulgará posteriormente. Além disso, as regras de auditoria permitem confrontar os votos totalizados com os boletins impressos em cada seção.

Os votos podem ser recontados?

Sim. A urna produz o Registro Digital do Voto, chamado de RDV. O arquivo armazena os votos por cargo e em ordem aleatória, sem ligar cada escolha ao nome ou ao número do eleitor.

A ordem aleatória protege o sigilo do voto. Ao mesmo tempo, permite uma nova contagem caso alguma auditoria exija a conferência.

A Justiça Eleitoral também preserva os registros das operações executadas pelo equipamento. Além disso, os arquivos recebem assinaturas digitais. Portanto, caso alguém tente modificar um documento, o sistema poderá identificar que o arquivo não corresponde ao original.

Como funcionam os resumos digitais?

Os resumos digitais, também conhecidos como hashes, funcionam como impressões digitais dos programas eleitorais.

Qualquer alteração em um arquivo produz um código diferente. Dessa forma, partidos e demais entidades fiscalizadoras conseguem verificar se os programas instalados nas urnas são exatamente os mesmos que o TSE analisou, assinou e lacrou.

Antes da eleição, o Tribunal realiza a cerimônia de assinatura e lacração. Nessa etapa, as entidades conferem os programas e os assinam digitalmente. Depois, o TSE grava os sistemas em uma mídia protegida e mantém o material armazenado.

Como funciona a auditoria no dia da eleição?

No dia da votação, os Tribunais Regionais Eleitorais realizam o Teste de Integridade em urnas escolhidas por sorteio.

O procedimento ocorre em um ambiente controlado. Primeiro, os fiscais registram votos em cédulas de papel. Em seguida, digitam os mesmos números nas urnas, enquanto câmeras e representantes das entidades acompanham todo o processo.

Ao final, os responsáveis comparam os resultados das máquinas com os votos registrados manualmente. Assim, o teste comprova se a urna armazenou e contabilizou exatamente os números digitados.

Além disso, as entidades fiscalizadoras podem acompanhar todas as etapas do procedimento.

Por que a segurança não depende de uma única barreira?

O sistema eleitoral distribui a proteção entre diferentes camadas de segurança, fiscalização e conferência. Portanto, a segurança do voto não depende apenas de um programa ou equipamento.

A abertura do código-fonte, os testes públicos, a criptografia, as assinaturas digitais, os boletins impressos, os registros eletrônicos e as auditorias formam uma cadeia de verificação antes, durante e depois da eleição.

Segundo o TSE, esse conjunto permite testar o sistema, acompanhar o processo, conferir os resultados e identificar qualquer tentativa de alteração.

Dessa forma, a segurança das eleições não exige confiança cega na urna. Pelo contrário, depende da possibilidade de inspecionar, testar, fiscalizar e auditar cada etapa do processo eleitoral.

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