
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos já influencia o debate político sobre as eleições brasileiras de 2026. Segundo análise da AP Exata apresentada nesta sexta-feira (17), o tema aumenta o desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais. Ao mesmo tempo, o cenário favorece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A empresa analisou as discussões publicadas nas plataformas digitais. Durante o período observado, Lula manteve estabilidade nas menções positivas. Flávio, por outro lado, perdeu 2,3 pontos percentuais.
Além disso, a associação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece com mais força nas publicações sobre o senador. Por isso, a AP Exata avalia que o tarifaço passou a interferir diretamente na disputa de narrativas políticas no Brasil.
Como o tarifaço pressiona Flávio Bolsonaro?
Segundo Sergio Denicoli, CEO da AP Exata, grupos ligados à esquerda ampliaram a associação entre Flávio Bolsonaro, Donald Trump e o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Além disso, esses grupos também passaram a relacionar a família Bolsonaro a discussões envolvendo o PIX. Dessa forma, adversários políticos fortaleceram nas redes a narrativa de que integrantes da família Bolsonaro se posicionariam contra o sistema brasileiro de pagamentos.
Com isso, Flávio passou a enfrentar um ambiente digital mais desfavorável. Ao mesmo tempo, a oposição conseguiu ampliar o alcance dessas críticas e aumentar a pressão sobre a imagem do senador.
Os dados da análise mostram que:
- Lula manteve estabilidade no período analisado;
- Flávio Bolsonaro perdeu 2,3 pontos percentuais nas menções positivas;
- Donald Trump apareceu em 27% das publicações que mencionavam Lula;
- o presidente dos Estados Unidos apareceu em 40% das menções relacionadas a Flávio Bolsonaro.
Portanto, a presença de Trump nas discussões sobre Flávio ocorre com muito mais intensidade. Esse fator, segundo a análise, ajuda a explicar o desgaste registrado pelo senador.
Por que Trump pesa mais sobre a imagem de Flávio?
A proximidade política com Donald Trump ampliou o impacto do tarifaço sobre Flávio Bolsonaro nas redes sociais.
Enquanto o nome do presidente americano apareceu em pouco mais de um quarto das publicações relacionadas a Lula, a presença de Trump cresceu significativamente nas conversas sobre Flávio.
Segundo Denicoli, essa associação representa um problema principalmente entre os eleitores moderados. Esse grupo, de acordo com a avaliação, tende a rejeitar uma proximidade excessiva com o presidente dos Estados Unidos.
Consequentemente, o tarifaço deixou de ocupar apenas o campo econômico e diplomático. Agora, o tema também entrou no centro da disputa eleitoral brasileira e passou a influenciar a percepção dos eleitores nas redes sociais.
Além disso, a oposição encontrou no episódio uma oportunidade para atacar diretamente a ligação entre a família Bolsonaro e Trump. Dessa maneira, o assunto ganhou força política e aumentou o custo dessa associação para Flávio.
Como funciona a disputa de narrativas nas redes?
Denicoli também destacou a importância da chamada dominância narrativa. Na prática, grupos políticos disputam espaço para impor sua interpretação sobre determinados acontecimentos.
Assim, quem consegue ampliar uma narrativa, gerar mais engajamento e alcançar um número maior de pessoas tende a ocupar mais espaço no debate público. Ao mesmo tempo, esse movimento reduz a capacidade dos adversários de controlar a discussão.
Nesse cenário, a AP Exata avalia que o tarifaço representa um desafio maior para Flávio Bolsonaro. Isso acontece porque o assunto também alcança os eleitores moderados, considerados importantes na formação da opinião pública.
Por outro lado, Lula mantém estabilidade nas discussões analisadas. Portanto, enquanto o presidente preserva seu desempenho no ambiente digital, Flávio precisa enfrentar o crescimento das críticas relacionadas a Trump e às medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Assim, o tarifaço amplia a pressão sobre o senador e transforma a relação com o governo americano em mais um elemento da disputa política pelas eleições de 2026.

