
O ministro Alexandre de Moraes assume interinamente nesta quinta-feira (16) a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Vice-presidente da Corte, ele ficará no comando durante parte do recesso do Judiciário, em um rodízio com o presidente Edson Fachin, que retomará a função no início de agosto. A mudança ocorre em meio a investigações e decisões que mantêm Moraes no centro das tensões com o bolsonarismo às vésperas das eleições de 2026.
Por que Moraes assume a presidência do STF?
A mudança ocorre durante o período de recesso do Judiciário. Como vice-presidente do Supremo, Moraes assume temporariamente o comando da Corte até o retorno de Edson Fachin.
Embora o período seja curto, Moraes ficará responsável pela presidência do tribunal em um momento politicamente sensível. Além disso, investigações relacionadas a aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem em andamento.
Outro ponto de tensão envolve uma decisão que impede Flávio Bolsonaro de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, até o primeiro turno das eleições. Segundo a publicação original, o cenário amplia o histórico de conflitos entre Moraes e setores da direita.
Durante a passagem interina pela presidência, o ministro estará à frente da Corte em um contexto marcado por:
- investigações que atingem aliados do bolsonarismo;
- repercussões de decisões envolvendo Flávio Bolsonaro;
- proximidade das eleições de 2026;
- histórico de confrontos entre Moraes e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como Moraes se tornou uma figura central para o bolsonarismo?
A relação de enfrentamento político e institucional ganhou força durante as eleições de 2022. Naquele ano, Moraes presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também conduzia, no Supremo, investigações como os inquéritos das fake news e das milícias digitais.
Além disso, durante o segundo turno da eleição presidencial, Moraes atuou diante das operações da Polícia Rodoviária Federal em regiões onde Luiz Inácio Lula da Silva tinha maior número de eleitores. Na ocasião, o ministro cobrou o desbloqueio das rodovias e chegou a ameaçar responsabilizar o então diretor-geral da PRF caso as determinações não fossem cumpridas.
Desde então, Moraes passou a concentrar críticas de parlamentares e lideranças ligadas ao ex-presidente. Segundo a reportagem que serviu de base para esta matéria, o ministro também se tornou alvo recorrente de pedidos de impeachment apresentados por bolsonaristas no Congresso.
Quais decisões ampliaram o confronto com Jair Bolsonaro?
Após as eleições de 2022, Moraes permaneceu diretamente ligado a processos de forte impacto sobre Jair Bolsonaro e seus aliados.
O ministro participou do julgamento no TSE que declarou o ex-presidente inelegível. Mais tarde, também atuou como relator da ação sobre a tentativa de golpe de Estado julgada pelo STF, processo que terminou com a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.
Agora, ao assumir temporariamente a presidência do Supremo, Alexandre de Moraes volta ao centro das atenções em plena movimentação para as eleições de 2026. Embora Edson Fachin reassuma o comando da Corte no início de agosto, o período reforça a posição institucional de um ministro que continua diretamente associado a alguns dos principais processos envolvendo o bolsonarismo.

