
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, confirmou no final da tarde desta quarta-feira (13) que negociou com Daniel Vorcaro, mas afirmou que “não ofereceu vantagens” em troca do financiamento ao filme sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio disse que conheceu Vorcaro “quando não existiam acusações e nem suspeitas públicas” sobre o banqueiro. Ele diz que os dois se conheceram em dezembro de 2024 e que o contato foi retomado “quando houve atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”.
O senador afirmou que pediu patrocínio privado para o filme. “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, declarou.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse Flávio.
Flávio Bolsonaro e o filme sobre o pai
Ele também voltou a defender a abertura da CPI do Master. O senador disse que é “necessário separar os inocentes dos bandidos” e tentou ligar o PT ao escândalo do Master, como já havia feito em vídeos publicados na semana passada, após a operação da Polícia Federal contra o presidente do PP, Ciro Nogueira.
Em áudio, Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar a produção de “Dark Horse”, filme biográfico sobre Bolsonaro, estrtelado pelo ídolo de Holywood Jim Caviziel. O conteúdo foi revelado pelo site “The Intercept”.
Em uma das gravações, de novembro de 2025, o senador diz ao banqueiro que as parcelas estão atrasadas e que está “em um momento decisivo do filme”.
Pelo menos 10,6 milhões de dólares teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. Ainda de acordo com o site, parte dos recursos foi transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
O deputado Mário Frias (PL-SP) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro também teriam participado da negociação, segundo o Intercept. Além deles, o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, teria sido o responsável por marcar os primeiros encontros entre Flávio e Vorcaro.
Em nota, Frias declarou que manteve conversas “com diversos empresários e potenciais apoiadores do projeto”, entre eles Vorcaro. Ele também declarou que o filme é uma produção privada, sem utilização de recursos públicos, e que as mensagens divulgadas hoje “refletem tratativas legítimas relacionadas ao desenvolvimento de uma obra audiovisual independente, sem qualquer irregularidade”.

