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Fim da escala 6×1 deve ficar para depois das eleições, diz ministro

Luiz Marinho afirma que governo trabalha pela aprovação da proposta, mas avalia que votação no Senado não deve ocorrer antes do período eleitoral

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Fim da escala 6×1 deve ficar para depois das eleições, diz ministro
Foto: Divulgação

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta sexta-feira (24) que o Congresso Nacional deve votar a proposta que prevê o fim da escala 6×1 somente após as eleições. Segundo ele, o governo federal trabalha para aprovar a medida, porém acredita que o Senado não deve colocar o tema em pauta antes do calendário eleitoral.

Marinho deu a declaração durante um evento do Sindicato dos Padeiros de São Paulo. Na ocasião, o ministro afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ainda não demonstrou intenção de acelerar a análise da proposta.

Governo defende mudança, mas Senado deve adiar votação

De acordo com Luiz Marinho, a proposta conta com forte apoio popular. No entanto, ele avalia que parte dos parlamentares pode evitar a votação antes das eleições.

“Eu acho que o Alcolumbre não permitirá que vote antes da eleição. É isso que eu acho”, afirmou o ministro.

Além disso, Marinho destacou que o governo federal mantém a defesa da mudança na jornada de trabalho e busca avançar com a discussão no Congresso.

“Trabalho ao contrário todo dia. A depender do governo, já estaria aprovado esse processo”, declarou.

Atualmente, a escala 6×1 permite que o trabalhador exerça suas atividades durante seis dias consecutivos e tenha apenas um dia de descanso. O modelo segue permitido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), desde que empresas cumpram regras sobre jornada, intervalos e descanso semanal remunerado.

Proposta aguarda análise dos senadores

A Câmara dos Deputados aprovou o texto em dois turnos no fim de maio. Agora, a proposta depende da análise do Senado para continuar sua tramitação.

Apesar de defender o fim da escala 6×1, Luiz Marinho afirmou que considera mais simples aprovar uma mudança por meio de uma lei específica. Segundo ele, uma legislação teria mais facilidade de estabelecer novos limites de jornada e garantir dois dias de descanso por semana.

Além disso, o ministro explicou que a definição do dia de folga poderia continuar sendo negociada entre empresas e trabalhadores por meio de acordos coletivos.

Ministro aponta impactos para trabalhadores e empresas

Durante o evento em São Paulo, Marinho também rebateu críticas de setores empresariais que apontam possíveis prejuízos com o fim da escala 6×1.

Segundo ele, empresas que adotaram dois dias de descanso semanal registraram redução nas faltas de funcionários e conseguiram preencher vagas com mais facilidade.

Além disso, o ministro afirmou que a atual escala prejudica principalmente jovens e mulheres, que enfrentam dificuldades para equilibrar trabalho, estudos e responsabilidades domésticas.

Por outro lado, Marinho destacou que jornadas mais longas podem aumentar casos de adoecimento e gerar custos para empresas, para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a Previdência Social.

Regulamentação do trabalho por aplicativos também deve esperar

Além da escala 6×1, Luiz Marinho afirmou que o governo deve deixar a regulamentação do trabalho por aplicativos para depois das eleições.

O projeto busca criar regras para trabalhadores de plataformas digitais, como motoristas e entregadores, em um debate que envolve direitos trabalhistas e novas formas de prestação de serviço.

Por fim, o ministro comentou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu por 90 dias a aplicação de multas relacionadas à atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que trata dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Segundo Marinho, o governo usará esse período para dialogar com o setor empresarial e esclarecer dúvidas sobre a norma.

Assim, a discussão sobre o fim da escala 6×1 deve continuar no Congresso, mas a definição sobre a votação dependerá do cenário político após as eleições.

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