
O Exército Brasileiro prendeu, na manhã desta sexta-feira (10), três dos sete militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do “Núcleo 4” da trama golpista. As capturas atendem a uma ordem direta do ministro Alexandre de Moraes, que determinou o início imediato do cumprimento das penas após o Judiciário rejeitar os últimos recursos das defesas.
Alvos da operação
Os militares detidos nesta manhã são:
- Ângelo Martins Denicoli: Major da reserva do Exército (Pena: 17 anos);
- Guilherme Marques de Almeida: Tenente-coronel (Pena: 13 anos e 6 meses);
- Giancarlo Gomes Rodrigues: Subtenente (Pena: 14 anos).
Além deles, o major da reserva Ailton Gonçalves Moraes Barros e o policial federal Marcelo Araújo Bormevet já se encontravam sob custódia do Estado. No entanto, as autoridades ainda buscam o coronel do Exército Reginaldo Vieira de Abreu e o presidente do Instituto Voto Legal, Carlos César Moretzsohn Rocha, que são considerados foragidos pela Justiça.
Estrutura de inteligência dos militares
De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), os integrantes deste núcleo operavam uma estrutura de inteligência paralela. O grupo utilizava o aparato da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos e fabricar dossiês falsos.
Ademais, os investigados coordenaram campanhas de difamação e ataques virtuais contra os então comandantes do Exército e da Aeronáutica. A estratégia visava emparedar as cúpulas militares para que aderissem aos planos de ruptura democrática em 2022.
Ataques ao sistema eleitoral
Outro pilar da condenação envolve a elaboração de um relatório fraudulento sobre supostas falhas nas urnas eletrônicas. Esse documento serviu de base para que o Partido Liberal (PL) questionasse oficialmente o resultado das eleições. Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes classificou o material como “uma das coisas mais bizarras” já apresentadas à Justiça Eleitoral.
Decisão e Condenações
A condenação foi selada pela Primeira Turma do STF, com um placar de 3 a 1. A ministra Cármen Lúcia, que consolidou a maioria, destacou em seu voto que o núcleo de desinformação promoveu uma “intimidação sutil e eficiente” através das redes sociais, aprofundando a polarização no país.
Em suma, o STF condenou os réus por crimes como:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Por fim, as penas variam entre 7 e 17 anos de prisão, a maioria em regime inicialmente fechado. O Exército e a Polícia Federal seguem em diligências para localizar os dois condenados restantes.

