
O eleitorado idoso nas eleições de 2026 terá um peso cada vez maior nas estratégias das campanhas. Atualmente, cerca de 36,8 milhões dos mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar têm mais de 60 anos.
Com isso, esse grupo já representa 23% do eleitorado nacional e alcança o maior número da história do país.
Além disso, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o número de idosos com título eleitoral ativo cresceu cerca de 74% desde 2010.
Portanto, candidatos que disputam cargos nacionais e estaduais terão de dialogar com um público cada vez mais numeroso e com demandas específicas.
No entanto, as campanhas também enfrentam um desafio. Entre os brasileiros com mais de 70 anos, faixa em que o voto é facultativo, a abstenção permanece elevada.
Dessa forma, os candidatos não precisarão apenas apresentar propostas. Também terão de estimular a participação desse público nas urnas.
Por que o eleitorado idoso ganhou tanta importância nas eleições de 2026?
O crescimento da população mais velha muda gradualmente o perfil do eleitorado brasileiro. Como resultado, temas diretamente ligados ao envelhecimento tendem a ocupar mais espaço no debate eleitoral.
Entre os principais assuntos que podem ganhar destaque estão:
- saúde pública;
- acesso a medicamentos;
- previdência e aposentadoria;
- assistência social;
- segurança;
- mobilidade;
- custo de vida.
Além disso, essas questões não afetam apenas quem já passou dos 60 anos.
Muitas famílias cuidam diariamente de pais, avós e outros parentes idosos. Por isso, propostas relacionadas ao envelhecimento também podem influenciar eleitores de outras faixas etárias.
A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avalia que o tamanho desse eleitorado transforma os idosos em um grupo estratégico para candidaturas que disputam eleições nacionais.
Por outro lado, as campanhas não podem tratar os idosos como um bloco eleitoral uniforme.
A idade, sozinha, não determina o voto. Fatores como renda, religião, escolaridade, gênero e região também influenciam as escolhas políticas.
Assim, candidatos terão de evitar discursos genéricos. Para dialogar com esse eleitorado, precisarão considerar as diferenças sociais, econômicas e regionais que existem dentro do próprio grupo.
Por que as mulheres têm forte presença entre os eleitores idosos?
O envelhecimento da população brasileira também amplia a presença feminina entre os eleitores mais velhos.
Segundo dados do Censo de 2022, as mulheres representam 54% das pessoas entre 60 e 69 anos. Entre brasileiros com 70 anos ou mais, o percentual sobe para 57,8%.
Além disso, a presença feminina aumenta conforme a idade avança.
As mulheres representam 61,7% da população com pelo menos 80 anos. Entre aqueles com 90 anos ou mais, a participação feminina chega a 67,4%.
Diante desse cenário, as campanhas também precisarão observar questões que afetam diretamente as mulheres idosas.
Entre elas estão renda, aposentadoria, saúde, violência, mobilidade e responsabilidade pelo cuidado de familiares.
Portanto, quem pretende dialogar com a população mais velha também terá de considerar a forte presença das mulheres nesse grupo.
Como funciona o voto para quem tem mais de 70 anos?
A legislação brasileira permite que pessoas com mais de 70 anos decidam se querem ou não votar. Nessa faixa etária, o comparecimento às urnas deixa de ser obrigatório.
Além disso, esses eleitores não precisam justificar a ausência e não recebem penalidades caso deixem de votar.
O título eleitoral também não é cancelado mesmo após três eleições consecutivas sem comparecimento.
Ainda assim, milhões de brasileiros idosos continuam exercendo o direito ao voto por decisão própria.
A aposentada Antonieta da Silva Campos, de 96 anos, por exemplo, faz questão de participar das eleições. Moradora do Rio de Janeiro, ela afirma que pesquisa o histórico e a postura dos candidatos antes de decidir o voto.
O exemplo mostra que, mesmo depois de deixar de ser obrigatório, o voto continua representando participação política e exercício da cidadania para muitos idosos.
Por que a abstenção entre eleitores com mais de 70 anos preocupa?
Apesar do crescimento do eleitorado idoso, a alta abstenção entre os mais velhos chama atenção.
O Brasil tem cerca de 16 milhões de eleitores com mais de 70 anos. Esse grupo representa aproximadamente 10,6% de todas as pessoas aptas a votar.
Entretanto, nas eleições de 2022, cerca de 8 milhões de eleitores dessa faixa etária não compareceram às urnas.
Assim, o índice de abstenção ficou próximo de 60%.
Diversos fatores ajudam a explicar esse cenário. Problemas de saúde, dificuldades de mobilidade, distância até os locais de votação e dependência de familiares ou cuidadores podem dificultar o comparecimento.
Além disso, o desinteresse pela política também pode afastar parte desses eleitores das urnas.
Por isso, especialistas defendem uma comunicação mais direcionada ao público idoso. Isso inclui linguagem acessível, temas relevantes e canais capazes de alcançar esse grupo.
Ao mesmo tempo, a Justiça Eleitoral busca ampliar a participação.
Para as eleições de 2026, o TSE instituiu o programa Seu Voto Importa. A iniciativa prevê transporte especial, em situações específicas, para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida que não tenham meios próprios de chegar aos locais de votação.
Com o envelhecimento do eleitorado brasileiro, candidatos terão de ampliar o espaço dedicado às necessidades da população idosa.
No entanto, o desafio vai além de apresentar propostas. As campanhas também precisarão mobilizar milhões de brasileiros que podem escolher se querem ou não comparecer às urnas.
Por isso, o crescimento do eleitorado idoso nas eleições de 2026 coloca esse grupo em posição de destaque no cenário eleitoral brasileiro.

