
O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, 6 de agosto, enquanto os investidores avaliaram a decisão do Banco Central sobre a taxa básica de juros. Além disso, o mercado acompanhou os balanços de grandes empresas brasileiras e as novas tensões no Oriente Médio.
O principal índice da Bolsa brasileira recuou 1,14% e terminou a sessão aos 175.701 pontos, segundo dados preliminares. Durante o pregão, o Ibovespa atingiu 177.720 pontos na máxima. No entanto, perdeu força ao longo do dia e chegou aos 175.514 pontos na mínima.
Enquanto isso, o dólar seguiu o caminho contrário e caiu diante do real. A moeda norte-americana recuou 0,44% e fechou vendida a R$ 5,1055.
Banco Central corta Selic para 14%
O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual e levou a taxa para 14% ao ano. O colegiado tomou a decisão por unanimidade.
O mercado já esperava o corte. No entanto, o Banco Central não antecipou os próximos passos da política monetária. Além disso, a instituição voltou a destacar as incertezas econômicas e os riscos provocados pela política fiscal.
Como resultado, os investidores interpretaram o comunicado como mais cauteloso. Dessa forma, o mercado passou a considerar que o Banco Central poderá manter os juros elevados por mais tempo.
A decisão marcou o quarto corte consecutivo da Selic. O Banco Central iniciou o atual ciclo de redução em março, quando diminuiu a taxa de 15% para 14,75% ao ano.
Juros elevados pressionam a Bolsa
Os juros altos aumentam a atratividade dos investimentos em renda fixa. Consequentemente, parte dos investidores reduz a exposição ao mercado de ações.
Além disso, taxas elevadas encarecem o crédito para consumidores e empresas. Com isso, o mercado projeta menor crescimento econômico, redução do consumo e mais dificuldades para companhias endividadas.
Por outro lado, o diferencial entre os juros brasileiros e as taxas praticadas em outros países continua atraindo capital estrangeiro. Esse movimento fortaleceu o real e ajudou a derrubar o dólar, mesmo diante da valorização internacional da moeda norte-americana.
Bradesco cai mesmo após aumentar o lucro
O Bradesco divulgou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado cresceu 16,2% em comparação com o mesmo período de 2025. Além disso, o lucro avançou 3,5% diante dos três primeiros meses deste ano.
Apesar do crescimento, o balanço ficou praticamente dentro das expectativas dos analistas. Por isso, os números não sustentaram uma valorização das ações.
Durante a sessão, os papéis do banco recuaram. O movimento também contribuiu para pressionar o Ibovespa, já que o setor financeiro possui um peso relevante na composição do índice.
Resultado da Vivara decepciona investidores
A Vivara também divulgou o balanço do segundo trimestre. A rede de joalherias registrou lucro líquido de R$ 156,7 milhões, resultado praticamente estável na comparação anual.
No entanto, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ficou abaixo das projeções do mercado. A empresa alcançou R$ 205 milhões, enquanto os analistas esperavam cerca de R$ 237,8 milhões.
Diante da diferença, os investidores venderam as ações da companhia. Consequentemente, os papéis da Vivara recuaram durante o pregão.
Cyrela avança após anunciar negociação bilionária
Na direção contrária, a Cyrela apareceu entre os destaques positivos da sessão. As ações da construtora subiram depois que a empresa anunciou um memorando para vender R$ 2,14 bilhões em ativos à TRX Real Estate.
A negociação animou os investidores e impulsionou os papéis da companhia. Dessa forma, a alta da Cyrela ajudou a reduzir parte das perdas do Ibovespa.
Petrobras lucra R$ 52,4 bilhões
Depois do fechamento do mercado, a Petrobras anunciou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre. O valor cresceu 97% em relação ao mesmo período de 2025.
Além disso, a estatal alcançou o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2022. A valorização do petróleo, impulsionada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, fortaleceu as receitas da companhia.
Agora, os investidores avaliam o balanço e observam como as ações da Petrobras reagirão ao crescimento do lucro.
Oriente Médio mantém mercado em alerta
As tensões no Oriente Médio também movimentaram os mercados. Petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz relataram explosões na região. Apesar disso, as autoridades não registraram danos ambientais.
Ao mesmo tempo, representantes do Irã e de Omã avançaram nas negociações para estabelecer novos procedimentos de navegação comercial pelo estreito.
A região concentra uma parcela importante do transporte mundial de petróleo. Portanto, qualquer ameaça ao fluxo de navios aumenta o risco de desabastecimento e pressiona as cotações da commodity.
Durante a sessão, o petróleo Brent subiu mais de 4% e superou os US$ 82 por barril. Enquanto isso, o petróleo WTI avançou mais de 3%.
Por fim, o mercado continua acompanhando os próximos sinais do Banco Central, os balanços corporativos e as tensões internacionais. Esses fatores devem definir o ritmo do Ibovespa e do dólar nas próximas sessões.

