
O Partido Liberal já registrou 15 candidatos que incluíram “Bolsonaro” no nome de urna para as Eleições 2026. Além disso, um candidato do Progressistas (PP) também adotou o sobrenome. Com isso, pelo menos 16 concorrentes decidiram associar suas campanhas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os dados aparecem nos mais de 8,2 mil pedidos de candidatura que os partidos enviaram à Justiça Eleitoral até quinta-feira, 6 de agosto. No entanto, as legendas ainda podem apresentar novos registros até 15 de agosto. Portanto, o número de candidatos que usam os nomes de líderes políticos ainda pode crescer.
A estratégia busca facilitar o reconhecimento na urna e atrair eleitores identificados com o bolsonarismo. Além disso, os candidatos tentam reforçar publicamente o vínculo político com o ex-presidente.
Levantamento não inclui Flávio, Carlos e Michelle
A contagem não inclui algumas das principais candidaturas ligadas diretamente a Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro (PL), Carlos Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro (PL), por exemplo, ficaram fora do levantamento.
Entre os registros já apresentados, poucos candidatos realmente mantêm ligação familiar com o ex-presidente. Um deles é Jair Renan Bolsonaro (PL), vereador de Balneário Camboriú e conhecido como “filho 04”.
Além dele, Rogéria Bolsonaro (PL), ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe dos três filhos mais velhos do ex-presidente, pretende disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.
Enquanto isso, Renato Bolsonaro (PL), irmão de Rogéria, concorre ao cargo de deputado federal em São Paulo. Já Marcelo Bolsonaro (PL), primo do ex-presidente, e Valéria Bolsonaro (PL) buscam vagas na Assembleia Legislativa paulista.
Candidatos adotam sobrenome para conquistar votos
A maioria dos candidatos não possui parentesco com Jair Bolsonaro. Mesmo assim, eles acrescentaram o sobrenome ao nome de urna para demonstrar alinhamento político e ampliar a identificação com o eleitorado conservador.
Entre os candidatos aparecem:
- Helio Bolsonaro (PL-RR), candidato ao Senado;
- Bruno Scheid Bolsonaro (PL-RO), candidato ao Senado;
- Jean Bolsonaro (PL-RJ), candidato a deputado federal;
- Renato Araújo do Bolsonaro (PL-RJ), candidato a deputado federal;
- Negona do Bolsonaro (PL-RJ), candidata a deputada federal;
- Thiago Neves Enéas Bolsonaro (PL-SP), candidato a deputado federal;
- Joel Bolsonaro (PL-RS), candidato a deputado estadual;
- Capitão Mosart Bolsonaro (PL-SP), candidato a deputado estadual;
- Fabiana Bolsonaro (PL-SP), candidata a deputada estadual;
- Samanta Bolsonaro (PL-SP), candidata a deputada estadual;
- Clodoaldo Bolsonaro (PL-SP), candidato a deputado estadual.
Ao adotar o sobrenome, os concorrentes deixam clara a estratégia eleitoral. Primeiramente, eles buscam chamar a atenção do eleitor. Em seguida, tentam transferir parte da popularidade de Jair Bolsonaro para as próprias campanhas.
Além disso, o nome de urna funciona como uma mensagem política rápida. Afinal, o eleitor identifica imediatamente o grupo ideológico ao qual o candidato pretende se vincular.
Estratégia também apareceu em 2022
O uso do nome Bolsonaro não representa uma novidade. Nas eleições de 2022, 33 candidatos utilizaram alguma referência ao então presidente no nome de urna.
Naquele ano, diferentes concorrentes combinaram o sobrenome com profissões, cargos, apelidos e referências religiosas. Agora, o PL concentra a maior parte dos registros e tenta transformar a identificação com o ex-presidente em votos para o partido.
Portanto, a legenda não aposta apenas em candidatos conhecidos nacionalmente. O partido também utiliza a força da marca Bolsonaro para fortalecer suas chapas estaduais e ampliar as bancadas no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas.
PT registra dois candidatos “de Lula”
O Partido dos Trabalhadores adotou uma estratégia semelhante no Rio Grande do Norte. Dois candidatos acrescentaram a expressão “de Lula” ao nome de urna.
Carlos Eduardo Xavier disputa o governo estadual como “Cadu de Lula”. Já Samanda Alves de Freitas concorre ao Senado como “Samanda de Lula”.
Dessa forma, os dois candidatos reforçam a proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tentam atrair o eleitorado petista no estado.
Além disso, uma candidatura do próprio PL chamou a atenção em São Paulo. O vereador Célio Morais, de Jaboticabal, registrou o nome “Dr. Célio, Lula do Bem” para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Justiça Eleitoral ainda analisará os registros
Os partidos têm até 15 de agosto para encaminhar todos os pedidos de candidatura. Depois disso, a Justiça Eleitoral analisará os documentos e verificará se os concorrentes cumprem as exigências previstas na legislação.
Por isso, o registro não garante automaticamente a presença do candidato nas urnas. Entretanto, os primeiros pedidos já revelam uma das principais estratégias da campanha de 2026: transformar os nomes de Bolsonaro e Lula em atalhos para conquistar a atenção e o voto do eleitor.

