Região Brasil

93% dos brasileiros reconhecem impacto do descarte incorreto de plástico

Pesquisa mostra que a população considera as embalagens importantes, mas ainda enfrenta falta de coleta seletiva e dúvidas sobre reciclagem

Autor
93% dos brasileiros reconhecem impacto do descarte incorreto de plástico
Foto: divulgação

Uma pesquisa nacional revelou que 93% dos brasileiros reconhecem os danos ambientais causados pelo descarte inadequado de embalagens plásticas.

Ao mesmo tempo, seis em cada dez entrevistados consideram essas embalagens indispensáveis no dia a dia. Além disso, 87% afirmam que o plástico ajuda a conservar produtos, proteger alimentos e medicamentos e evitar desperdícios.

A Nexus ouviu 2 mil pessoas em todas as regiões do país. O Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast) encomendou o levantamento e incluiu os resultados na campanha Plástico na Real.

A publicação original apareceu em uma seção de conteúdo patrocinado. Portanto, a origem da pesquisa e os interesses da entidade responsável precisam acompanhar a divulgação dos resultados.

O que dificulta a reciclagem no Brasil?

Embora a maioria reconheça os impactos do descarte incorreto, muitos brasileiros ainda não conseguem reciclar as embalagens. Nesse sentido, a falta de estrutura aparece como o principal problema.

Segundo a pesquisa:

  • 28% apontam a falta de coleta seletiva como o maior obstáculo;
  • 17% não sabem como separar corretamente os resíduos;
  • 9% desconhecem os locais adequados para descarte.

Os números mostram que apenas conscientizar a população não resolve o problema. Afinal, os consumidores também precisam encontrar serviços de coleta, pontos de entrega e informações claras.

Por isso, governos e empresas devem ampliar a coleta seletiva, fortalecer as cooperativas de reciclagem e facilitar o acesso aos locais de descarte.

Como as embalagens ajudam a conservar produtos?

As embalagens plásticas protegem alimentos, medicamentos, produtos de higiene e diversos itens de uso diário. Além disso, elas facilitam o transporte, aumentam o tempo de conservação e reduzem perdas ao longo da cadeia de distribuição.

Essa função também aparece na pesquisa. Ao todo, 87% dos entrevistados reconhecem que as embalagens preservam produtos e ajudam a evitar desperdícios.

No entanto, o benefício termina quando empresas e consumidores descartam o material de forma incorreta. Nesse caso, os resíduos podem atingir rios, mares, ruas e áreas naturais.

Portanto, a utilidade do plástico não elimina sua responsabilidade ambiental. Pelo contrário, o uso constante exige sistemas eficientes de coleta, reaproveitamento e reciclagem.

Como calcular o impacto ambiental de uma embalagem?

Pesquisadores utilizam a Avaliação de Ciclo de Vida para medir os impactos de um produto. O método acompanha todas as etapas, desde a retirada da matéria-prima até a destinação final.

A análise considera fatores como:

  • consumo de energia;
  • emissão de gases de efeito estufa;
  • quantidade de matéria-prima;
  • peso durante o transporte;
  • durabilidade;
  • capacidade de conservar produtos;
  • possibilidade de reciclagem;
  • destinação depois do uso.

Dessa forma, os especialistas não analisam apenas o descarte. Eles também avaliam a fabricação, o transporte, o uso e a capacidade de reaproveitamento.

A campanha argumenta que, em algumas situações, outros materiais podem consumir mais recursos e gerar mais emissões durante a produção e o transporte. Entretanto, entidades ligadas à indústria do plástico reuniram parte desses dados. Por isso, o debate precisa comparar essas informações com estudos independentes.

Quem deve reduzir os impactos do plástico?

Consumidores, empresas e governos precisam agir em conjunto. A população deve separar os resíduos e procurar os locais corretos para descarte. Enquanto isso, as prefeituras precisam ampliar a coleta seletiva e apoiar as cooperativas de reciclagem.

As empresas, por sua vez, devem reduzir embalagens desnecessárias, desenvolver produtos recicláveis e assumir a responsabilidade pela destinação dos materiais que colocam no mercado.

Portanto, o debate ambiental não deve ignorar as funções do plástico. Porém, também não pode minimizar os danos causados pelo consumo excessivo, pela falta de reciclagem e pelo descarte irregular.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

Ver todas as matérias de Ismael Melo